terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Valsinha - Chico Buarque

Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

Não gosto da versão musicada dessa música, do Chico. Acho mórbida, e não imprime todo o tom e força que esse poema tem.
O poema tem aquele tão-presente tom de uma pequena vila, na festa de São João, com suas fogueiras, paus-de-arara, pipocas, simpatias e travessuras. Tem aquele tom de visitas ao Vô Pedro e da formatura do prézinho da Aline, em 1995. Aquele gosto do mundo mágico da leitura na quarta-série, do "Príncipes, Princesas, Sapos e Lagartos", do "Fantástico Mistério de Mister Flowers" e do inesquecível "Amor Impossível, Possível Amor" de Manuel Bandeira.

É....

Tem aquele gosto de infância gostosa e querida que só os sonhadores mais afortunados conseguem, ainda hoje, saborear. Gosto o qual tornava tudo mais colorido, mais intenso, mais vívido....

.... e menos clichê.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

E a essência, você sabe, tá ali. E aparece.

F. diz:
E eu aceitaria um RRC chato. E um T. fudido, com pulmão descolado e joelho fudido. E um D. "bonitinho porém sem gracinha" desde que gostasse de mim, que fosse meu companheiro, meu amigo.
As minhas roupas mudaram, mas bem la no fundinho eu continuo o mesmo, e sempre fui assim.

K diz: O problema é a espera.

F. diz:
A nossa dor é esperar. Na época eu entendia parcialmente essa sua frase, achava que a dor era só sua, que a espera era só sua.
Eu estava errado: a dor era minha também.

Eu amo você, e você sabe disso, K.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Todo bom texto é fruto da dor.

E apesar da minha vida não ser um mar de rosas, eu estou vivendo. A inspiração não veio, a flor não furou o asfalto. Mas há flores nos canteiros.

O sentimento ilhado, morto e amordaçado, voltava a incomodar.

E apesar de se dizer cansado, muito cansado, ele sabia que seu coração era incansável. E que não desistiria de procurar o amor.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Saudosismo Desmedido

Ultimamente tenho sentido saudades de tudo. Mas não é uma saudade mórbida, daquelas que lhe faz amaldiçoar o tempo presente e choramingar as mágoas por querer voltar nos tempos d'outrora. É uma saudade que me vem de repente, e tão de repente, some, me devolvendo à realidade de provas, terminais de ônibus e dias bem quentes em Franca.
Mas quando me dá esses 5 segundos, me transporto para ruas dos anos 90, tão amigas, acolhedoras, familiares. Relembro os episódios que passei em São José, nas brincadeiras, simples idas ao Edwaldo, ao Joseense. Relembro todos os amores e dissabores, de cada passo que dei para chegar onde cheguei. E aí bate a certeza de que tudo valeu a pena, ainda que tenha tropeçado diversas vezes nesse caminho. E ao mesmo tempo que procuro viver o presente e pensar no futuro, eu fecho os olhos de saudade...

Talvez a infância tenha esse mágico poder conservar a doçura e a intensidade em nossa alma.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Quando a boca cala.

Olhares. Era a forma que tinha imposto a seu coração de comunicar todo aquele sentimento proibido, toda a atração contida, todo quase-amor que sentia. Havia dito a si mesmo que não iria mais se enganar, que não mais alimentaria vãs esperanças.
Mas a cada olhar que se encontrava furtivamente, a cada momento em que surpreendia D. lhe observando, seu coração pulava de alegria, seu coração não cabia em si de tanto sentimento. O sorriso escapava-lhe nos lábios e as palavras que o professor proferia se tornavam distantes, enquanto ele fantasiava mil e uma situações.
Mas era à noite que se permitia falar com C. sobre todos aqueles sentimentos, sobre suas fantasias, sobre cada olhar. Ela sabia sobre olhares. Ah, ela sabia o que era ser olhada em meio à multidão. E ela sabia passar despercebida.

Voltando da faculdade, no terminal de ônibus, pensando no resumo crítico e lentamente voltando seus pensamentos para D., eis que como num passe de mágica a mítica figura aparece, como se tivesse se materializado. Todas as situações que havia fantasiado, então, resultavam vãs. A boca secava, as palavras saíam gaguejadas e o assunto já nem lembrava mais.


Sua boca se calava, ainda que seu coração gritasse um amor incontido e seus olhos seguissem a figura que desaparecia na escuridão das ruas.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Diálogos

Sentado na mesinha de seu quarto em São José, como de costume, ele pensava na conversa que tinha tido com L., no dia anterior. “Com certeza esta conversa renderá um bom texto em meu blog, L.” – dizia.

Falaram de tudo: dos desentendimentos com os colegas, do passar do tempo, de tudo. O vento noturno batia nos rostos e esfriavam os corpos que, parados no desconfortável parapeito da janela, dialogavam sobre o que havia passado até ali. Estavam crescendo, ele e ela. Sim, certamente estavam crescendo com tudo o que acontecia.

Ele se sentia feliz por ela estar ali, do lado dele. Não sabia por quanto tempo seus caminhos ainda estariam unidos, mas orava para que permanecessem assim por mais um bocado de tempo.

Começaram então a falar da falta de autocrítica das pessoas, de como essas pessoas não sabiam se avaliar, não sabiam ser críticos a respeito do mundo porque simplesmente não tinham vivência de mundo. Não tinham, ao menos, a vivência de mundo que se fazia necessária para serem mais críticos. “Deixe estar, um dia o mundo ensina a lição.” – concluíam.

Então falavam das pessoas muito inteligentes, quase verdadeiros gênios matemáticos e científicos que, quando se deparavam com assuntos que nunca tinham visto ou sentido, logo se transformavam em conservadores preconceituosos, homofóbicos, racistas. E falavam de como aquilo enchia o saco, de como aquele tipo de gente os deixava com preguiça e tristeza. Mais uma vez, concluíam, o mundo se encarregaria de ensiná-los que a vida é muito mais do que o conservadorismo religioso e ‘moral’ que lhes fora ensinado, desde sempre.

Então respiravam fundo, a noite estava quase no fim e o bar fechava. Tomaram um último gole da bebida que não pediram e saíram abraçados contra o repentino frio da noite.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Mundo Afora

Era incrível como em uma semana havia colocado seus olhos em paisagens e pessoas que nunca antes imaginara na vida. Havia experimentado das emoções as mais diversas: a adrenalina do impulso que o avião dá na decolagem, o estranhamento por estar numa região do Brasil com hábitos bem distintos, a delícia da descoberta do bombom de mangaba, o deslumbre ao se deparar com pessoas extremamente interessantes e cheias de histórias para contar, a raiva por ter sido completamente esquecido durante todo um dia, um estranho dèja vu ao se deparar com uma igreja no alto de um morro, onde as bandeirolas de festa junina ainda insistiam em exalar uma época do ano cheia de sabores, dissabores, amores e desamores, todos iluminados por uma fogueira bem grande.
Mas o que talvez mais tenha balançado o coração daquele rapaz era como ele havia encontrado mundo afora uma casa cheia de amor e saudade, e um menino simples que, através de coisas simples, havia chamado sua atenção para a vida. Havia aproveitado cada segundo daquele local, daquela companhia, mas agora estava há muitos quilômetros de distância. Tudo o que sabia era que, ao deixar aquele local, havia também deixado uma parte do seu coração no interior do Sergipe, com pessoas que provavelmente o esqueceriam, mas que sempre fariam parte de uma lembrança gostosa na alma daquele rapaz.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Pneumotórax

Ele mantinha um sorriso amarelo no rosto enquanto sua mente dava voltas e seu coração vivenciava um sem-fim de emoções. Estava em um momento em que a sinceridade parecia tomar conta de seu ser, e quanto mais pensava, mais procurava agir da maneira mais sincera e verdadeira, mais procurava agir de acordo com os apelos de sua alma.
Estava confuso e não fazia questão de esconder isso ou de parecer bobo. Tinha um imenso amor em seu coração por todas aquelas pessoas que um dia já havia chamado de "amigos". Mas por mais que os outros já não admitissem, já não havia mais espaço na vida dessas pessoas para ele; era apenas um eco de um passado muito bom.
Havia tomado uma resolução: não adiantava mais enraivecer-se, arremessar palavras e acusações como pedras, não adiantava sumir de vez da vida de todos e sofrer em silêncio com isso. Tinha que deixar ao encargo do tempo tornar a vivência mais escassa, e de transformar a ausência numa lembrança boa.

Foi ver as feridas da cirurgia do pneumotórax do amigo, e pensou nas cicatrizes que elas iriam deixar. Mas agora, no silêncio de seu quarto, pensava naquelas cicatrizes que não podia ver, mas que vez ou outra se faziam sentir. Mas estava tranquilo.

"A única coisa a fazer é tocar um tango argentino."

Vai passar.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Sem assunto

Ele dizia a C. que era um ser ''sob rasura'', em constante contradição. Por mais que tentasse manter seu pensamento coeso, seus sentimentos o traíam. Procurava encontrar uma identidade, sua tribo, seus iguais, mas a cada tentativa sentia-se cada vez mais ímpar e só.

Estava cansado daquele fim de semestre, daquelas provas chatas em que sempre arranjava um jeito de 'dar um migué'. Não tinha o mínimo interesse por assuntos acadêmicos, para não falar da crescente repulsa por assuntos sociológicos e filosóficos, bem como filosofia barata e moralismo de butique.

Ele tinha vontade de fechar os olhos numa bela tarde de sol e se ver cercado pelas pessoas que gosta e que realmente gostam dele. Não tinha mais saco para ser sociável com as pessoas com quem mantinha contato por conveniência, e do mundo em que era obrigado a viver em Franca.

Sentiu saudade do sol banhando seu rosto por entre as folhas das árvores, das risadas de doer a barriga com as pessoas queridas, de falar da mudinha de jaboticabeira e do asfalto esburacado com o seu avô. De andar de bicicleta com sua prima e fofocar com ela até altas horas da madrugada.

Tinha lido num livro que se você vai em busca do amor, o amor vai ao seu encontro. E lhe salva.

Será?! O Amor parecia fácil nos livros, fácil pro vizinho, fácil pra amiga do fundamental que casou. Mas para ele... ah, para ele! O Amor parecia se esconder na Malásia.

sábado, 6 de junho de 2009

Autenticidade

Parece que a palavra do momento é "autenticidade". Do meu momento, ao menos, é a palavra que mais teima em aparecer na minha mente e pela qual eu tento nortear minha vida e minhas ações.

Não sei se é o fim de semestre, as hipocrisias cotidianas, a desilusão com as pessoas que a gente considerava ou mesmo um estafamento desse mundo. Só sei que, ao me encontrar imerso em tamanha falta de autenticidade, falta de sinceridade para consigo mesmo e para com os outros, ao enxergar segundas, terceiras e quartas intenções em cada gesto, sempre premeditado, visando agradar a um determinado público ainda que isso implique em não ser você mesmo, eu mudei de alguma forma.

E ao enxergar tudo isso, com o adicional de ter provas, seminários e trabalhos pra esse final de semestre, eu me cansei. É tanta coisa não dita, tanta inveja e segredinhos que eu fico me perguntando as vezes onde é que eu fui me meter.


Mas apesar de tudo, eu procuro ser o mais autêntico possível. É fato que algumas pessoas nunca mudam, e não serei hipócrita de dizer que quero que elas super se realizem. Não lhes desejo mal, mas quero tocar minha vida e deixar a falsidade, de uma vez por todas, pra trás.

sábado, 16 de maio de 2009

Desabafo

Vamos combinar: essa história de capitalismo/neoliberalismo/conservadorismo versus socialismo/comunismo/marxismo já cansou. Então vamos lá, expor o que eu penso a respeito disso.
É muito curioso o fato como a nossa opinião muda com o passar do tempo, com o número de coisas que lemos e com as experiências que vivemos. Quando eu tinha lá meus 14 anos, eu achava a revista Veja o máximo, cheia de reportagens para todos os gostos. A partir do momento em que entrei no ensino médio, passei a entrar em contato com um outro ponto de vista e minha visão acerca do mundo começou a mudar. Questionei-me se determinada visão era a realmente certa, e até mesmo se havia uma visão de mundo que fosse correta. E cheguei à conclusão que independente do tipo de visão do mundo/sociedade que você tem, são apenas interpretações coletivas que são incorporadas à visão pessoal. Portanto, não acredito que exista 'certo' ou 'errado' nesse quesito, apenas pontos de vista diferentes.
Mas o que mais me irrita são as pessoas que aceitam dogmas, e não os questionam. Não embasam seus argumentos e apenas repetem os dizeres de certos 'intelectuais' sem sequer formar sua opinião própria, baseada numa leitura própria dos grandes pensadores, de Adam Smith a Karl Marx.
Vivemos em um sistema capitalista, e isso é fato, apesar das diversas crises que, segundo muitos, prenunciam a quebra desse mesmo sistema. Contudo, é muito fácil encontrarmos pessoas que se dizem ''contra o sistema'' numa sala de aula ou até em conversas de botequim, mas que no momento seguinte estão tomando Coca-cola, adquirindo o mais novo modelo de laptop ou até mesmo indo pra Europa, numa viagem de lazer, nas férias. E isso não desce, não dá pra engolir.

Eu acredito fielmente que se alguém defende um ponto de vista, que esse mesmo alguém VIVA o seu ponto de vista. Não sou contra a defesa de nenhuma visão política, desde que a pessoa não seja hipócrita e de fato viva de acordo com o que fala.

Nada impede que alguém seja capitalista e nem por isso se conforme com a desigualdade brutal que esse sistema apresenta. É possível beber coca-cola, comprar o mais novo modelo de laptop e viajar pra Europa nas férias e ainda assim defender mudanças na sociedade. É o que eu acredito e o que eu procuro fazer. Adotar uma ideologia dita ''de esquerda'' e procurar, dentro do sistema em que vivemos, atenuar as desigualdade sociais e tudo aquilo o que esse sistema oferece de ruim é algo coerente e muito efetivo.

Ninguém precisa viver de chinelo de dedo, cabelos sujos e mal cheirosos para defender uma postura pró-ativa, contrária aos dogmas que nos são impostos. Se quer defender o socialismo, ótimo! Apenas não saia da faculdade e vá comer um McDonalds, comprando sua passagem para os Estados Unidos através do seu laptop da HP, pois assim perderá todo crédito. Se quer defender o neoliberalismo, ótimo! Apenas embase seus argumentos de forma coerente, e não apenas repita os dizeres de Diogo Mainardi e Jô Soares, pois de papagaios demagagos o mundo está cheio.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Distração

Ele procurarava distrair-se, como dizia a música da Zélia. Procurava seguir sua vida sem cobranças, sem planos, sem muitas expectativas amorosas, pois sabia que frustrar-se-ia muito se mantivesse aquela postura.
Entretanto, à mesa da padaria Estrela, após um dia exaustivo e carregado de vãs esperanças e suspiros por toques, gestos e olhares, tinha se desiludido. E pensava consigo mesmo, "tinha sido melhor assim. Pelo menos agora largava de ser besta". Mantinha no rosto um sorriso amarelo e um quê de descaso e divertimento, mas por dentro estava triste. Esperava, e por mais que não quisesse, por mais que procurasse ocupar sua mente e seu coração, não obtinha muito êxito. Trabalho e estudos nunca aqueceram o coração de ninguém, e com ele não seria diferente.
Dizia ao espelho todos os dias que aquele dia seria diferente, que aquele dia seria leve, descontraído e cheio de coisas boas. Mantinha seus olhos aberto para essas coisas boas, mas esperava demais do mundo.

Mas apesar de tudo, ainda acredita fielmente na música de Zélia, e quem sabe um dia, numa manhã de sol, não encontre quem tanto procura?

Distração - Zélia Duncan

Se você não se distrai, o amor não chega
A sua música não toca
O acaso vira espera e sufoca
A alegria vira ansiedade
E quebra o encanto doce
De te surpreender de verdade
Se você não se distrai, a estrela não cai
O elevador não chega
E as horas não passam
O dia não nasce, a lua não cresce
A paixão vira peste
O abraço, armadilha
Hoje eu vou brincar de ser criança
E nessa dança, quero encontrar você
Distraído, querido
Perdido em muitos sorrisos
Sem nenhuma razão de ser
Se você não se distrai,
Não descobre uma nova trilha
Não dá um passeio
Não rí de você mesmo
A vida fica mais dura
O tempo passa doendo
E qualquer trovão mete medo
Se você está sempre temendo
A fúria da tempestade
Hoje eu vou brincar de ser criança
E nessa dança, quero encontrar você
Distraído, querido
Perdido em muitos sorrisos
Sem nenhuma razão de ser
Olhando o céu, chutando lata
E assoviando Beatles na praça
Olhando o céu, chutando lata
Hoje eu quero encontrar você

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Aprovação do Projeto de Lei na Câmara Municipal

LEGISLATIVO
Bate-boca generalizado paralisa sessão da Câmara
Dirceu Garcia/Comércio da Franca

PRESSÃO TOTAL - Cerca de 80 estudantes compareceram ontem à sessão da Câmara para acompanhar a votação do projeto de lei que permitirá a compra de passagens para o transporte coletivo municipal pela metade do preço.

PRESSÃO TOTAL - Cerca de 80 estudantes compareceram ontem à sessão da Câmara para acompanhar a votação do projeto de lei que permitirá a compra de passagens para o transporte coletivo municipal pela metade do preço
Edson Arantes da Redação
A Câmara Municipal foi palco, ontem, de uma confusão que envolveu vereadores, estudantes e guardas-civis municipais. O bate-boca generalizado, que paralisou a sessão por duas horas, ocorreu durante a discussão de um projeto de lei da vereadora Graciela Ambrósio (PP). A matéria determinava o fim do limite no número de passagens com desconto para estudantes no transporte público municipal. O projeto foi aprovado, mas ainda tem de ser sancionado pelo prefeito Sidnei Rocha (PSDB) para entrar em vigor. Atualmente cada aluno pode comprar até 50 passagens por R$ 1,10, metade do preço normal.
Cerca de 80 estudantes assistiam a sessão e pressionavam pela aprovação do projeto. Diziam que a quantidade atual é insuficiente para que eles desenvolvam suas atividades extra-aulas. Os alunos intensificaram os protestos e vaiaram quando a Comissão de Justiça e Redação deu parecer contrário à proposta alegando ilegalidade e inconstitucionalidade. Por outro lado, aplaudiram os vereadores e estudantes que faziam a defesa da matéria.Diante do clima tenso, a Mesa Diretora pediu segurança. Em poucos minutos, quatro guardas- civis se posicionaram no plenário. Junto com eles, estava o secretário municipal de Segurança, Sérgio Buranelli. A vereadora Graciela não gostou. "Gostaria de saber quem chamou a Guarda Civil. Peço que os guardas sejam retirados, pois aqui não tem bandido", disse, irritada.O vereador Marco Garcia (PP) criticou o comportamento dos universitários e defendeu a manutenção da segurança. "Os estudantes falaram um monte de baboseiras e nós ouvimos", disse. Foi prontamente rebatido por uma universitária. "Você não presta atenção em nada. Fica o tempo todo ao celular", esbravejou a jovem.A partir daí, houve uma sequência de troca de farpas e agressões verbais. Desconfortável com a discussão, o presidente da Casa, Joaquim Ribeiro (PSB), conhecido por sua aversão à polêmica, anunciou a suspensão da sessão por duas horas. Eram 19 horas e apenas um dos cinco projetos da pauta havia sido discutido.A revolta de estudantes e alguns vereadores foi imediata. "Não estamos na ditadura. O senhor não pode fazer isto. É uma vergonha, um desrespeito. Não há motivos para isto. A manifestação dos estudantes é pacífica", disparou Graciela. "Eles estão desrespeitando a Casa. É uma falta de compostura", rebateu o presidente da Câmara.O vereador Paulo Afonso Ribeiro (PT) ainda tentou apaziguar a situação e propôs uma trégua: os guardas e o secretário de Segurança sairiam do plenário e os estudantes só se manifestariam ao fim dos pronunciamentos dos vereadores. O acordo foi fechado, mas o presidente da Câmara - que poderia revogar a suspensão dos trabalhos - havia deixado o prédio às pressas.Graciela afirmou, então, que a sessão poderia ser reaberta pelo vice-presidente, Marcelo Valim, que se esquivou. "Não posso fazer isto. É antiético", respondeu o tucano. "Antiético é o que fizeram com os estudantes", devolveu a delegada. "Nossas reivindicações eram totalmente pacíficas, um sinal de democracia", completou a universitária Isis Dantas Menezes.

APROVADO A sessão foi reaberta às 21 horas com os universitários ainda mais barulhentos. Os guardas e Buranelli ficaram do lado de fora. Depois de cansativos e repetitivos discursos, a oposição endureceu e convenceu os outros vereadores a rejeitarem o parecer da Comissão de Justiça. Também foi derrubado o pedido de adiamento por cinco sessões e o projeto foi aprovado com dez votos favoráveis e quatro contrários. “Sinto que foi feita justiça”, disse Graciela.

sábado, 25 de abril de 2009

Protesto!

Eu quero mais ru com frango grelhado!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Escassez e fome de mundo.

2009 certamente tem se mostrado um ano trabalhoso para mim. Um ano cheio de tarefas, cheio de maior responsabilidade, um ano em que preciso amadurecer mais rápido do que o normal e é, acima de tudo, um ano de ação. Ação para colocar meus planos para funcionar, ação para colocar em prática todos os meus desejos e anseios. Emagrecer, ficar mais inteligente, juntar dinheiro e viajar, minha grande paixão. Mas onde está a força necessária para colocar a ação em ação?

Na aula de Economia Internacional a professora disse que a economia é a ciência da escassez. Que é devido à escassez que surgiu à moeda, que surgiram as trocas comerciais, que foi a escassez que motivou os homens, lá nos tempos idos, a buscarem formas de suprir suas necessidades. Comecei a pensar então sobre um outro tipo de escassez, a escassez emocional, e cheguei à conclusão de que essa falta é muito maior nos corações do que a escassez financeira o é nos bolsos. Falta amor, falta carinho, falta compreensão, falta afeto, falta humildade, falta simplicidade de caráter. Faltam heróis de verdade e sobram demagogos, sobram pessoas que buscam reconhecimento a todo custo sem muitas vezes merecê-lo, sobram pessoas que mascaram suas terceiras intenções sob uma falsa cordialidade.

Tenho fome de mundo, tenho fome de intensidade. Tenho fome de um mundo de cores mais brilhantes e fortes, tenho fome de mais compreensão, tenho fome de mais amor, tenho fome de mais dinheiro (afinal, vivemos em um sistema capitalista!), tenho fome de viajar pelos países, tenho fome de aprender de verdade, tenho fome de mais tardes ensolaradas, tenho fome de mais beijos e abraços, tenho fome de verdade e libertação, tenho fome de Deus, tenho fome de espiritualidade, tenho fome de universidade.

Mas sobretudo, a fome que mais me inquieta é a fome de mudança. E só Deus sabe quantas foram as lágrimas derramadas, esperando inutilmente que essas pudessem, de alguma forma, me saciar.

domingo, 15 de março de 2009

Vontades

Às vezes tenho vontades loucas, sem pé nem cabeça. Vontade de ser quem eu sou, vontade de trabalhar, juntar dinheiro e me mandar pra bem longe, vontade de voltar correndo pra São José quando eu estiver ( e até quando eu estou) bem longe, vontade de enfiar lápis na tomada, vontade de arrotar na frente de todo mundo, vontade de me mudar pra São Paulo, vontade de dizer a todos com quem eu moro o que eu realmente penso dessa competição maldita e do fato de eu nunca me encaixar, de como eu sempre me sinto um estranho no ninho.

Às vezes tenho sim, como disse C., vontade de voltar no tempo. Vontade onde tudo era mais puro e intenso, cheio de olhares carregados de mais vontades e cheio de falas interrompidas pela incerteza gostosa, incerteza da descoberta.

Entretanto, como diz Amy Winehouse, ''But to walk away I have no capacity" e todas as minhas vontades ficam retesadas, esperando um dia, quem sabe, serem libertas do meu peito.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Reencontros

O céu estava escuro, sem estrelas. O ar úmido pela chuva torrencial que caía havia 2 dias enchia os pulmões esperançosos daquele garoto que já não era mais garoto. A chuva finalmente havia passado e conforme se aproximavam da cidade carnavalesca, mais seu coração intensificava suas batidas.
No sábado havia feito um pedido ao céu muito estrelado do interior de Minas Gerais. Havia pedido um reencontro, para que pudesse dar uma última olhada. Foi atendido mais rápida e inesperadamente do que pensava. Estava à toa, pulando carnaval distraídamente quando foi notado por duas personagens do passado. Com elas, vieram à tona toda a intensidade e todo o sentimento guardado através dos anos.
Estavam todos mudados, sem dúvida. Haviam crescido, suas feições já não eram mais infantis, tornando-os todos discretamente imperceptíveis a um olhar descuidado. Mas foi ali, naquela cidadezinha do interior, na praça onde todos pulavam carnaval despreocupadamente, na praça bucólica que já havia sido palco de tantos amores e desamores, foi ali onde seus olhares cruzaram. A música já não parecia tão alta naquele milésimo de instante em que os olhos se encontravam e tão logo se desencontravam e tomavam seu rumo. Para um observador não tão atento assim, nada havia acontecido. Mas no coração do garoto, seu mundo havia girado mais rápido do que podia acompanhar e de alguma forma, sentia-se aquele moleque de 11 anos quando pusera seus olhos nas míticas personagens pela primeira vez.

"Você foi para um país distante
Li agora o seu cartão postal
Sua foto na estante
Te vejo ano que vem
No carnaval
Chove chuva, chuva chove
Cai do céu pro chão
Corre e vem lavar o meu rosto
Eu sei de tudo o que acontece entre a gente
Nem imagino tentar te esquecer
Não vejo a hora de te ver novamente
E ficar com você

Chuva na Janela - Jammil e Babado Novo

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A Outra Crise - José Saramago

Crise financeira, crise económica, crise política, crise religiosa, crise ambiental, crise energética, se não as enumerei a todas, creio ter enunciado as principais. Faltou uma, principalíssima em minha opinião. Refiro-me à crise moral que arrasa o mundo e dela me permitirei dar alguns exemplos. Crise moral é a que está padecendo o governo israelita, doutra maneira não seria possível entender a crueldade do seu procedimento em Gaza, crise moral é a que vem infectando as mentes dos governantes ucranianos e russos condenando, sem remorsos, meio continente a morrer de frio, crise moral é a da União Europeia, incapaz de elaborar e pôr em acção uma política externa coerente e fiel a uns quantos princípios éticos básicos, crise moral é a que sofrem as pessoas que se aproveitaram dos benefícios corruptores de um capitalismo delinquente e agora se queixam de um desastre que deveriam ter previsto. São apenas alguns exemplos. Sei muito bem que falar de moral e moralidade nos tempos que correm é prestar-se à irrisão dos cínicos, dos oportunistas e dos simplesmente espertos. Mas o que disse está dito, certo de que estas palavras algum fundamento hão-de ter. Meta cada um a mão na consciência e diga o que lá encontrou.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Porque chega uma hora...

... que a gente quer ser ouvido, que a gente quer falar. Mas não encontra palavras.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O que realmente toca.

Há muito tempo eu não via Central do Brasil, e acho que pela primeira vez, no dia 30 de dezembro de 2008, eu tenha visto o filme completo. Eu sempre tive uma certa queda por filmes que retratassem da pessoa, do destino incerto e dos truques que o tempo pregava na gente, tudo isso aqui, no Brasil, no sertão que seca e endurece o coração. Revelando as paisagens naturais, do Rio de Janeiro até o nordeste do país, Walter Salles mostra, através dos cenários, a aridez que permeia a vida e o coração de muitas pessoas.
Através de Josué, Dora redescobre o afeto, que há muito tempo acreditava que havia perdido. No final do filme descobri, através da Guê, que meu coração não está seco. Acho que nunca um filme conseguiu me fazer chorar tanto e ver tanta beleza no Brasil e nos brasileiros como conseguiu "Central do Brasil".
Abaixo, transcrevo a carta que Dora, "escrevedora de cartas", escreve a Josué, dizendo que há muito tempo não escreve uma carta a alguém. Nela, Dora diz a ele que guarda o retrato que eles tiraram na festa de Padre Cícero. E você? O que tem para se lembrar, para não esquecer daqueles que ama?


Dora: “Josué, faz muito tempo que eu não mando uma carta para alguém, agora estou mandando essa carta para você. Você tem razão, seu pai ainda vai aparecer e com certeza ele é tudo aquilo que você diz que ele é. Eu lembro do meu pai me levando na locomotiva que ele dirigia. Ele deixou eu, uma menininha, dar o apito do trem a viagem inteira. Quando você estiver cruzando as estradas no seu caminhão enorme, espero que lembre que fui eu a primeira pessoa a te fazer botar a mão no volante. Também vai ser melhor para você ficar aí com seus irmãos, você merece muito mais do que eu tenho para te dar. No dia que você quiser lembrar de mim, dá uma olhada no retratinho que a gente tirou junto. Eu digo isso porque eu tenho medo que um dia você também me esqueça. Tenho saudade do meu pai, tenho saudade de tudo.

Dora.”

http://www.youtube.com/watch?v=MywJelUl6c0