sábado, 25 de abril de 2020

Mr. Blue

Você me indaga o sentido de tudo isso. Eu digo, objetivamente, que não sei. 

Ninguém lhe prepara ou aconselha sobre como crescer. Ninguém lhe conta que a vida é diferente dos filmes e séries que assistimos e, ainda assim, consegue surpreendentemente imitá-los. Ninguém lhe avisa que um único dia pode trazer consigo uma verdadeira montanha russa de emoções que você nunca sabe onde pode terminar. Ninguém lhe diz que as lágrimas de pontos finais tem esse gosto sem nome, permeadas de tristeza e de que isso é só a vida seguindo seu curso, sem grandes mistificações. 
Ninguém comenta sobre o silêncio nas janelas, entrecortado pelo som do isqueiro acendendo mais um cigarro (e lá se vai mais meio maço no dia). Ninguém lhe dá o caminho das pedras de como driblar o conservadorismo, a raiva, o tédio. Ninguém lhe ensina a manter a sanidade mental e a como lidar com as pressões cotidianas, com os prazos, com a insensatez alheia, com sua família. Ninguém menciona as linhas tênues entre o choro e o riso, entre o descaso e a esperança e nem a enfrentar pandemias. 
Ninguém lhe indica como curar um coração partido, nem o que fazer com os pedaços que sobraram depois que a tempestade passou ou como encontrar o caminho de volta e amar de novo. 

Você olha ao redor e todos estampam a mesma dúvida na face. Perguntar resultaria inútil, pois a estrada deles é customizada para eles e você tem a sua para trilhar. Só sei que existe uma única direção e é pra frente. 

Mas já que me questionou como é, eu lhe diria que é passageiro como uma nuvem, terrível como a solidão, bonito como um arco-íris, intenso como as paixões que lhe tomam de assalto e com o permanente gosto agridoce da saudade. 

Viu? Eu disse que não adiantava perguntar. Mas, como tudo na vida, valeu a tentativa.