sexta-feira, 27 de abril de 2012

Moulin Rouge e Cartas Clow

Acho que vou chamá-la aqui de Fb. Você, que sempre encontra espaço nos meus pensamentos e que, sempre esteve presente, à sua maneira. Hoje essa é pra você.

Foi engraçado o modo como você entrou na minha vida. Naquela época a diferença de 13 pra 12 anos era imeeensa e eu me achava muito mais cult porque a J. me dava atenção e jogava RPG comigo. Mas lá estava você, entrando escondida no ICQ dela. E eu não sabia porquê, mas aquela menina que nem tinha ICQ havia me conquistado. No começo os assuntos eram esparsos, mas depois foram ficando cada vez mais freqüentes e interessantes. Você se tornou minha confidente, meu ouvido pacientíssimo que me aconselhava nos momentos em que eu mal conseguia me olhar no espelho. Era com você que eu falava "coisas do planalto central, também magia e meditação". Era com você que eu delirava vendo Moulin Rouge e ficávamos os dois roucos tentando cantar "Come what may", dando stop no filme assim que as cortinas se fechavam e a Satine não morria.

Lembro-me de como estava nervoso quando íamos nos encontrar pela primeira vez, lá em São Paulo. Até hoje quando passo de ônibus por aquela universidade, lembro-me do nosso primeiro encontro e de como foi bom e estranho me encontrar com você. Lembro-me de quando lhe comprei aqueles mangás de Sakura e de como eu e você sonhávamos em ser Card Captors. Tenho até hoje o pêndulo-rachado que carrego sempre comigo, nas minhas coisas. Na primeira vez que lhe conheci, tive vontade de dizer ''que saudades'', mesmo sendo a primeira vez que finalmente estávamos nos conhecendo pessoalmente. Ainda assim, senti que reencontrava uma grande amiga.

 Naquela época tanto eu quanto você tínhamos o péssimo hábito de não sorrir em fotos. (...)

O tempo passou. Você arrumou um namorado e eu arrumei novas dores-de-cabeça. Mas desde sempre, foi você quem continuou comentando aqui. Mesmo apressada, afogada em cálculos, na vida corrida, nos passeios com seus inúmeros cachorros, nas preocupações de namorada, filha, irmã e amiga, você sempre continuou marcando sua presença na minha vida, de alguma forma.

Acho que nunca expressei como eu gosto de você e como gosto de ver como a nossa amizade evoluiu. Lembro-me das nossas cartinhas, algumas até com perfume, lembra? Quem diria que um dia eu lhe apresentaria aquele colega chatíssimo meio inoportuno naquela balada na minha cidade!

Enfim, você é uma daquelas pessoas que, acima de muita gente, mereceu estar aqui. Podemos não manter aquele contato intenso que tínhamos ou nos perder em devaneios como costumávamos fazer. Sua rotina pode ser agora de uma mulher adulta, bem resolvida e linda, por dentro e por fora, mas ainda assim nada disso importa muito: você continua sendo a terrível BDDN20, a melhor amiga que um Oráculo poderia ter.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Limiares

Ele vivia sempre nas fronteiras de si mesmo. Nas fronteiras de dizer umas poucas e boas pro pai, sempre tão rígido, retrógrado, cínico. Um péssimo exemplo de pai. Vivia nas fronteiras de arrumar um emprego. Às fronteiras e portas de sair de casa. Vivia nas fronteiras de um novo amor que nunca vinha. De dizer verdades que precisavam ser ditas e que ninguém queria ouvir, por comodismo e preconceito. Vivia às portas de emagrecer e tomar resoluções, que sempre se esmoreciam com o passar dos meses.

(...)

Mas ele também vivia à espera do beijo daqueles lábios bem desenhados, finos e lindos, vermelho-rosáceos. Vivia nos limiares dos toques, dos olhares, das brincadeiras maliciosas. O toque da perna dele na sua ou o jeito como pegava na sua nuca. O modo como ele ficava perigosamente perto e a respiração acelerava, o coração batia descompassado e uma vergonha quase palpável se instalava ali. Vergonha com desejo, algo quase juvenil mesmo. Irritantemente juvenil.

Vivia no limiar de si mesmo. Não no limiar da intensidade, de viver tudo de maneira inconsequente, vívida e louca, mas sim no limiar ser aquele que tinha tudo pra ser, mas não foi.

Era a hora de resoluções. Mas por onde começar?

segunda-feira, 9 de abril de 2012