Ele às vezes tem o ar sem-vergonha de quem vai dar uma cambalhota, mas não é para o público, é para mim mesmo essa cambalhota.
Eu bem me entendo.
Não sou alegre. Sou até muito triste.
A culpa é da sombra das bananeiras de meu país, esta sombra mole, preguiçosa.
Há dias em que ando na rua de olhos baixos
para que ninguém desconfie, ninguém perceba
que passei a noite chorando.
Estou no cinema vendo fita de Hoot Gibson
de repente ouço a voz de uma viola...
saio desanimado."
Trecho de "Explicação" - Carlos Drummond de Andrade
"Meu Bom Jesus que tudo podeis
humildemente te peço uma graça
Sarai-me, Senhor, e não desta lepra,
do amor que eu tenho e que ninguém me tem."
"Romaria" - Carlos Drummond de Andrade
"Seu coração está seco. Observa a vida das pessoas à sua frente pela janela da casa nova. Uma vida nova com os mesmos velhos sentimentos, as mesmas velhas angústias. Não conseguia mais ser o mesmo, não conseguia mais brincar despreocupadamente, sorrir com qualquer bobagem dita.
Caía no mesmo erro de se apaixonar por quem não devia. Sua vulgar e imensa necessidade que tinha de ter alguém a seu lado o levava a buscar em qualquer um alguém com quem pudesse ser feliz. Mas apaixonava-se [ sempre! ] pelas pessoas incertas, ou que nada poderiam oferecer senão sincera amizade. Sentia sua tristeza crescer em seu peito, bem como o sentimento de que era patético. Tentava chorar, mas após tanto tempo prendendo o choro havia, segundo Cazuza, aguado o bom do amor e sequer uma lágrima caía. E era capaz que se caísse, secasse as poucas antes que tocassem o chão. Seu coração estava seco e dua dor era esperar."
Escrevi esse texto num momento difícil, mas que não condiz com a minha realidade agora [ e faz nem 2 semanas! ]. Mas como de praxe, sempre que escrevo algo no papel resolvo postar aqui. Mas de agora em diante, prometo tentar escrever coisas mais alegres! = ]
No próximo post: Retrospectiva 2008!