sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

"...meu verso me agrada sempre...
Ele às vezes tem o ar sem-vergonha de quem vai dar uma cambalhota, mas não é para o público, é para mim mesmo essa cambalhota.
Eu bem me entendo.
Não sou alegre. Sou até muito triste.
A culpa é da sombra das bananeiras de meu país, esta sombra mole, preguiçosa.
Há dias em que ando na rua de olhos baixos
para que ninguém desconfie, ninguém perceba
que passei a noite chorando.
Estou no cinema vendo fita de Hoot Gibson
de repente ouço a voz de uma viola...
saio desanimado."

Trecho de "Explicação" - Carlos Drummond de Andrade
"Meu Bom Jesus que tudo podeis
humildemente te peço uma graça
Sarai-me, Senhor, e não desta lepra,
do amor que eu tenho e que ninguém me tem."
"Romaria" - Carlos Drummond de Andrade
"Seu coração está seco. Observa a vida das pessoas à sua frente pela janela da casa nova. Uma vida nova com os mesmos velhos sentimentos, as mesmas velhas angústias. Não conseguia mais ser o mesmo, não conseguia mais brincar despreocupadamente, sorrir com qualquer bobagem dita.
Caía no mesmo erro de se apaixonar por quem não devia. Sua vulgar e imensa necessidade que tinha de ter alguém a seu lado o levava a buscar em qualquer um alguém com quem pudesse ser feliz. Mas apaixonava-se [ sempre! ] pelas pessoas incertas, ou que nada poderiam oferecer senão sincera amizade. Sentia sua tristeza crescer em seu peito, bem como o sentimento de que era patético. Tentava chorar, mas após tanto tempo prendendo o choro havia, segundo Cazuza, aguado o bom do amor e sequer uma lágrima caía. E era capaz que se caísse, secasse as poucas antes que tocassem o chão. Seu coração estava seco e dua dor era esperar."
Escrevi esse texto num momento difícil, mas que não condiz com a minha realidade agora [ e faz nem 2 semanas! ]. Mas como de praxe, sempre que escrevo algo no papel resolvo postar aqui. Mas de agora em diante, prometo tentar escrever coisas mais alegres! = ]
No próximo post: Retrospectiva 2008!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Peito Aberto

"Dizia a C. as palavras indizíveis aos novos amigos, com uma sinceridade resignada e doída. Revelava seus mais profundos sentimentos e confusões com uma objetividade quase matemática, como se só assim lhe pudessem compreender. Procurava ficar só, numa espécie de tortura, para lembrar-se, a cada instante, dos erros que seu coração e hormônios insistiam em cometer.
Pensava em sua família, em seus amigos agora tão distantes. A distância que os separava não era a física, muito embora esta contribuísse; não, era a distância entre mentes e corações que tornava frio e impessoal todos aqueles grandes momentos de amizade, que uma vez haviam sido tão vivos, intensos e sinceros.
Agora, porém, estava sozinho em seu quarto na cidade onde estudava, com seu silêncio cortado apenas pela chuva e pelo barulho dos carros lá fora. Os novos amigos estavam rindo e se divertindo por aí, enquanto ele comemorava sua auto-comiseração, que insistia em lhe fazer companhia, mesmo ele detestando sentir pena de si mesmo. Talvez fosse seu 'inferno astral', aquele mês que precede seu aniversário, em que as bobagens astrológicas afirmavam ser turbulento e cheio de reveses internos e amorosos.
Talvez estivesse fazendo tempestade em copo d'água, mas pensava no que havia realizado em quase duas décadas de existência e não conseguia chegar a uma conclusão sólida. Sabia que havia conquistado muitas coisas, mas sentia-se incompleto, como se sua cama de solteiro fosse demasiadamente grande para ele mesmo. Como se em seu coração houvesse uma demasiada falta de amor por si mesmo e excesso de esperança nos outros. Sabia que o mundo era duro, e que deveria resguardar-se para não sofrer. Mas mantinha vivo em seu coração o destemor do sofrimento e uma incessante busca do Amor."

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Mesma velha história

"Perdi-me dentro de mim
Porque era labirinto
E hoje, quando me sinto
É com saudades de mim..."
É estranho como a nossa vida muda em pouco tempo. Isso, para mim, é uma verdade já debatida. Contudo, o mais estranho é como você passando por tantas mudanças, quando você acha que mudou suficientemente a ponto de ser uma pessoa completamente nova, vem um bando de fatos incoerentes, de hormônios descontrolados e de músicas tristes que lhe remetem a quem você sempre foi.
É aquela velha ( e igualmente debatida) história da carência: parece que você sempre está completo se tem alguém com quem andar de mãos dadas, falar besteiras ao pé do ouvido ou simplesmente dormir abraçado.
Parece que velhos poemas, poemas inventados do nada, músicas que escutamos nas horas mais propícias possíveis expressam nossos mais profundos e indizíveis sentimentos. Um turbilhão de provas, seminários, tarefas, saudades e sentimentos. Tudo isso misturado.
Posso ter sido incoerente, nao ter seguido uma cadência lógica, não ter seguido cadência nenhuma. Mas não há cadência, ou lógica, ou o diabo a quatro que exprimam o que sinto agora no labirinto em que eu me tornei ( de novo).

domingo, 26 de outubro de 2008

Reviravoltas

Há tempos eu tento escrever um texto com o coração, mas parece que todos os meus textos que realmente tocam são frutos da dor. E dor é algo que, graças a Deus, há tempos eu não sinto. Pelo menos é isso que eu achava.

Há tempos que eu busco uma luz, algo que me inspire a escrever aqui. Há um sentimento estranho, de uma reflexão a qual eu não consigo me aprofundar, pois facilmente me disperso, me esqueço de voltar os olhos pra dentro de mim sem, contudo, conseguir enxergar o exterior.

Há tempos venho sentindo uma impaciência muito grande. Parece que onde quer que eu olhe, as pessoas são muito imaturas, agem como se fossem crianças e não no bom sentido, no da "Inocência". É no sentido de criancice mesmo, como se vivessem no mundinho colorido. Posso estar parecendo um chato com 'C' maiúsculo, mas me irrita profundamente pessoas agirem feito idiotas, quando tinham tudo para serem profundas.

E sobre a sempre-presente carência, nem sei mais o que fazer. Mas dia e noite, continuo procurando.

"So when you near me, darling, can't you hear me SOS?"

sábado, 27 de setembro de 2008

Inquietação

Ultimamente tenho tido um sentimento de nada. É uma inquietação, uma vontade de dar um rumo pra minha vida, uma vontade tão forte que nem sei por onde posso começar.

Tentei colocar em ordem as minhas prioridades. Tento ver o que é mais vantajoso pra mim, o que será melhor pro meu futuro não só , mas principalmente profissional. Saí da empresa júnior, e pretendo assumir a direção do centro acadêmico. É estranho como em tão pouco tempo a gente amadurece e assume responsabilidades que um ano atrás a gente nem sonhava existir.

Tô tentando estudar mais, aprender de fato, e não apenas decorar. Sair um pouco daquele clima de escola, de estudar pra tirar nota, como muita gente ainda insiste em fazer.

Mas acho que não é isso o que mais me inquieta, o que mais me incomoda. Talvez o que me deixe assim seja aquele lado mais difícil de controlar, aquele lado que sempre testou meu auto-controle, o lado emocional. Talvez seja por isso que eu tente tanto controlar certos aspectos da minha vida: porque sei que em outros eu não tenho o menor controle, e esse sentimento de impotência me frustre tanto.

Quando se trata do emocional, parece que não há crescimento profissional ou maturidade intelectual que me faça sair da estaca zero. Senti o corpo de outrem sobre o meu, e por um instante achei que instintos fossem suficientes. Mas o coração apronta das suas e, como sempre, eu me enganei.

Ultimamente tenho me sentido sem muito rumo, ou muito chão. As poucas pessoas que poderiam me entender de fato estão longe, muito longe de Franca. Nessas horas a saudade aperta, e eu tento com todas as minhas forças lutar contra esse sentimento de solidão e inquietude que tão insistentemente tentam me fazer companhia.

domingo, 31 de agosto de 2008

Mudanças

Vou adiante como posso, liberdade é do que gosto...

Estranho como em um mês a vida da gente pode mudar tanto. São tantas verdades, em sua grande maioria libertadoras, que a gente fica até atordoado. Só sei que esse último mês em Franca passou voando.

Quero tomar um rumo mais certo para a minha vida. Meus anseios continuam os mesmos, creio eu. A mesma intensidade, a mesma necessidade. Contudo, as pessoas mudaram. A situação mudou, e pra melhor, creio eu.

Eu não quero mais mentir, usar espinhos que só causam dor. Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu, dos cegos do castelo me despeço e vou..a pé até encontrar, um caminho, um lugar pro que eu sou.

Melhor comprar um tênis com sola reforçada, então. = ]

Beijos.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Atitude

" A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer. " - Graciliano Ramos.

Por muitas vezes eu tentei escrever um texto bonito aqui, contrariando Graciliano. Quero escrever, mas parece que somente a tristeza dá aquela inspiração de arrepiar os pelinhos da nuca.

Mas, agora ouvindo o conselho de Graciliano, quero dizer. Quero dizer que eu estou perdido. Que eu quero ter atitude, mas que a comodidade de uma vida segura me impede, me faz desistir de ser alguém diferente, me atrasa ao tentar mudar.
Quero dizer que eu não sei bem o que dizer, mas que sinto uma vontade enorme de apenas dizer. De falar da vontade que tenho em traduzir em palavras esse sentimento de inquietação, de busca por algo que ainda nem sei definir.
Tenho vontade de dizer que eu estou apaixonado por você, mas que nem sempre eu quis isso. Digo isso porque cansei de ilusão, cansei de buscar migalhas de carinho, cansei de ser demasiadamente vulgar ao fazer de tudo pra chamar sua atenção e receber apenas sua sincera amizade.

Cansei de, mais uma vez, quebrar a cara. Cansei da minha covardia e da minha auto-comiseração. Aproveito esse meu momento de "pseudo-rebeldia" para, ao menos por um instante, não ficar preso a você, uma mera ilusão na minha cabeça. Quero coisas reais, quero viver ao invés de existir. Quero dizer às pessoas como elas são importantes pra mim, mas não como um homem desesperado em um momento de coragem. Quero fazer desse momento uma coisa gradual, continuada, intensa.

Quero viver, sim. Não minto que meus sentimentos me traem e me levam à estaca zero. Mas sei que, se eu não tomar uma atitude, vou continuar a sonhar com o impossível, e a realizar muito pouco.

domingo, 27 de julho de 2008

Relembrando...

Engraçado como o simples fato de remexer todos os seus scraps desde 2005 tenha um efeito tão profundo sobre suas memórias. Comecei a ler por causa de um scrap em especial, mas aí dei corda ao meu saudosismo e aquilo foi quase como olhar uma foto antiga, muito antiga, a qual você não se lembrava.

O que mais me tocou, eu acho, foi em como eu era diferente. Digo... falava com pessoas com quem hoje sequer falo, tinha uma outra postura, uma outra forma de encarar a vida. Tinha outras amizades em destaque, outra rotina. E o mais engraçado é que remexendo os scraps você percebe nitidamente como sua vida muda, como as pessoas vão deixando de falar com você e outras entram em sua vida. Pra quem curte alimentar o saudosismo, fica aí a dica! ; D

Assisti DreamGirls e como todo musical, me fez ter vontade de sair cantando por aí. Tive vontade de cantar toda uma vida de sentimentos disfarçados, de abraços e beijos comedidos, de olhares e palavras brincalhonas. Deu vontade de, assim como no filme, expor nossas mágoas, dores, alegrias, amores...

Mas como a vida não é um musical, a gente leva a vida de forma um pouco mais árdua, mais difícil. E nessa vida, a gente faz uma escolha: ou enche o peito de coragem e se arrisca, ou fica esperando que uma música venha a calhar e exprima tudo o que você sente.

Mas tanto na vida real como no musical, tudo o que a gente busca é um final feliz, com as pessoas aplaudindo e a cortina se fechando lá atrás.

domingo, 13 de julho de 2008

Pensando em você - Pimentas/ Babado Novo

Tava satisfeita em te ter como amigo
Mas o que será, que aconteceu comigo?
Aonde foi que eu errei?
Às vezes me pergunto se eu não entendi errado
Grande amizade com estar apaixonado
Se for só isso logo vai passar
Mas quando toca o telefone será você?
O que eu estiver fazendo eu paro de fazer
E se fica muito tempo sem me ligar
Arranjo uma desculpa pra te procurar
Que tola mas eu não consigo evitar
Porque eu só vivo pensando em você
E é sem querer, você não sai da minha cabeça mais
Eu só vivo acordada a sonhar
Imaginar
Às vezes penso ser um sonho impossível
Uma ilusão terrível será?
Hoje eu pedi tanto em oração
Que as portas do seu coração
Se abrissem pra eu te conquistar
Mas que seja feita a vontade de Deus
Se ele quiser então, não importa quando, onde
Como eu vou ter seu coração.
Eu faço tudo pra chamar sua atenção
De vez em quando eu meto os pés pelas mãos
Engulo a seco o ciúme
Quando outra apaixonada quer tirar de mim sua atenção
Coração apaixonado é bobo
Sorriso seu ele derrete todo
O teu charme, teu olhar
Tua fala mansa me faz delirar
Mas quanta coisa aconteceu e foi dita
Qualquer mínimo detalhe era pista
Coisas que ficaram para trás
Coisas que você nem lembra mais
Mas eu guardo tudo aqui no meu peito
Tanto tempo estudando teu jeito
Tanto tempo esperando uma chance
Sonhei tanto com esse romance
Que tola mais eu não consigo evitar
Porque eu só vivo pensando em você
E é sem querer, você não sai da minha cabeça mais
Eu só vivo acordada a sonhar
Imaginar
Às vezes penso ser um sonho impossível
Uma ilusão terrível será?
Hoje pedi tanto em oração
Que as portas do seu coração
Se abrissem pra eu te conquistar
Mas que seja feita a vontade de Deus
Se ele quiser então, não importa quando, onde
Como eu vou ter seu coração.


Música pop/axé meio tola, de corno. Mas ainda assim, acho que não preciso dizer mais nada.

sábado, 28 de junho de 2008

Despedidas sem fotos.

Voltei hoje para minha cidade natal. Vim olhando o céu estrelado dos lugares em que não havia luz, vim confortável sem ninguém roncando do meu lado, vim pensando no que iria encontrar essas férias. E deixei todas as ilusões lá.

Mas tudo isso desapareceu quando recebi um abraço na rodoviária e sorrisos quando cheguei na casa mais bonita da rua Anápolis. Na casa onde o sol brilha bastante, ocultado pelas folhas das árvores e cuja luz serve de alimento para as flores bem cuidadas do canteiro.

O mais engraçado porém, é que apesar das saudades, foi com certo pesar que deixei a outra cidade para trás. Porque também para trás ficaram pessoas importantes, que tomarão seus rumos. Também para trás ficaram histórias, muitas histórias...

Só sei que não tenho a mínima de como será o próximo semestre, pois agora eu só quero aproveitar, sem apressar nada. Afinal...

"Não se apresse, não, que nada é pra já."

sábado, 14 de junho de 2008

Quando a saudade chega....

.... and the inspiration comes.

E de repente, fez-se a saudade. Saudade ensaiada, mas verdadeira. Saudade desencadeada por uma música qualquer. Lembrou-se de seu passado, de quando brincava na rua com os vizinhos que nunca mais viu. [ nunca mais?! Nem tanto, a cidade não é tão grande assim...]. Lembrou, com saudade e uma grande dose de surrealismo, tudo o que tinha vivido até ali. Tinha tudo aquilo mesmo acontecido ou era um sonho? Sim, tudo havia acontecido, e as fotos estavam ali para comprovar os fragmentos de uma vida que outrora havia sido mais despreocupada, mais feliz. Ao olhar ao seu redor, perguntava-se pela milésima vez o que estava fazendo ali: a sala pequena, sem muitos móveis, no centro de uma cidade do interior do Estado de São Paulo, era silenciosa, sendo esse silêncio cortado apenas pela música na tevê e pelos ocasionais carros lá fora.

Fechava os olhos, lembrando-se de tudo o que havia sentido até ali. Foi transportado para a cidade natal, com suas ruas familiares, com suas escolas que haviam sido palco de tantas amizades,brigas, reconciliações, e amor, no singular, pois havia sido ali, na escola, onde ele havia sentido aquele sentimento pela primeira vez. Começava a esquecer-se dos toques, das palavras, dos raríssimos momentos de carinho, pois os anos cuidavam de tornar tudo mais distante e fragmentado. O tempo a tudo apagava, e ele perguntava-se como R. estaria hoje. Estaria trabalhando? Ainda gostava de estudar? Estudava o que gostava?Ainda morava no mesmo lugar? Amava? Estava feliz? E principalmente.... será que pensava nele, ainda que de vez em quando?

Sentia vontade de chorar, mas lutava contra aquilo. Sentia-se e sabia-se um covarde por nunca ter sido o que realmente era, sentia solidão e tristeza. Mas era só às vezes que pensava nisso, pois sua vida agora havia mudado. Agora pensava em Ciência Política, em economia, no cenário internacional, em viagens. Tinha sonhos como "Janaína", era como um "90's Jesus'' [ que Deus o perdoe!].

E sentia-se Macabéa. Como milhares de Macabéas por aí.