sábado, 12 de outubro de 2013

Você marcha. Yollanda, para onde?

O problema de tudo é que Yollanda não sabia para onde ir.

sábado, 10 de agosto de 2013

Pies Descalzos

Yollanda tinha vontades loucas, às vezes. Tão loucas quanto ela mesma, desvairada com seu batom vermelho escarlate, exagerado e destoante. Sua saia esvoaçante de cigana (já não mais tão dissimulada) coloria as calçadas por onde passava.

A mais louca das vontades, sem sombra de dúvida, era a de ser livre. Livre como o cabelo que insistia em não parar quieto com o vento, livre como todos os caminhos da America Latina, livre como andar de bicicleta no por do sol, sem rumo e feliz.

Livre para amar quem quisesse, quando quisesse, como quisesse. Livre para usar as roupas que quisesse, para sair sem combinar roupa, livre para raspar o cabelo se quisesse. Livre para pensar o que quisesse, acreditar e não acreditar no que bem lhe aprouvesse.

Livre para reinventar-se, para banhar-se nua na água do mar, para ser exatamente quem nasceu pra ser. Livre para ser a mais doce das criaturas e a mais tempestuosa da sua espécie. Doce e amarga, como a própria vida.

Yollanda era amor e aprendia isso em si mesma a cada dia. Mesmo que a balança denunciasse outras inverdades, mesmo que o espelho, vezenquando, insistisse em mostrar olheiras, fios de cabelo brancos e um semblante nem sempre pouco cansado, Yollanda sentia-se satisfeita em trilhar seu próprio caminho através da vida. E isso, sim senhor, deveria bastar.

domingo, 28 de julho de 2013

"No que você está pensando?"

Era o que o facebook me perguntava todos os dias. O que estou pensando agora?

Se eu fosse escrever agora, acredito que todos os conteúdos seriam impublicáveis. Não, eu não poderia falar o que eu estava pensando agora, pois se pudesse escrever tudo o que meu coração tá transbordando, não haveria espaço suficiente na rede social para despejar toda a minha mágoa, minha confusão, minha espera, meus conflitos.

Eu escreveria que metade de mim é raiva e mágoa que sinto do meu pai e a outra é desejo de mudança e leveza. Escreveria que parte do meu espírito é frustração com o meu trabalho, com minha pós graduação e o desânimo que sinto ao pensar em ter que voltar pra uma rotina que não é verdadeira minha. Escreveria também que a outra parte do meu espírito é desejo, é busca pela verdade, pela realização plena em algo que vá mudar a sociedade verdadeiramente.

Escreveria o que linhas dificilmente conseguiriam traduzir, como caminhar pelas ruas de São José e sentir o passado mostrando quem eu sou, como aquela praça da finada Telesp na frente do meu dentista, ou o bar-boteco próximo à casa da minha vó ou ainda a rua do prédio colorido, próximo aos campos da Eletropaulo. Dificil seria colocar todo o sentimento em uns tantos caracteres, tão frios, monocromáticos, imutáveis.

Igualmente difícil seria falar da falta que vou sentir e de como eu tenho me anestesiado da ausência de um amor de verdade. De como, por outro lado, eu tenho estado fechado para balanço sem a verdadeira vontade de me relacionar com alguém.

Mas aí, ao invés de falar de coisas que o exterior não diz, como a dificuldade de trilhar um caminho próprio, posto uma foto bacana com uma legenda legal. E tento resumir essas confusões numa frase do Leminski ou numa frase de impacto qualquer.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Início de mês com gosto de fim

Mais uma vez, chego aqui pra me sabotar e quebrar mais uma jura de esquecimento (eu prometi que não ia mais falar de você, RPF.) mas a situação exigiu.

Minha noite hoje foi irrequieta. Os sonhos eram, sem dúvida, sexualmente conturbados, cheio de reveses, cheios de cinza. Acordei, olhei pela janela e o dia lá fora continuava tão cinza quanto o sonho-que-não-era-sonho.

Quase 14h, pensei na prova de Marketing que teria que fazer, em como era bom acordar tarde no primeiro dia-de-fato de férias e no meu desejo constante de ir pra perto do mar.

Peguei o celular e li a mensagem de uma amiga nossa em comum. Você havia sido desligado da empresa.

Era o fim. O fim de um ano inteiro de idas e vindas na nossa relação, o fim das bebedeiras no Villa, o fim das declarações de como você gostava de mim entre uma garfada e outra na esfirra de queijo com bastermá, o fim das mensagens no celular, o fim do bom dia rotineiro.

Foi tudo tão brusco e tão necessário que estou até agora tentando assimilar a tristeza de tudo isso. De como eu gostava de você, de tanta coisa que eu queria lhe mostrar. De fazer você visitar minha cidade, a casa da minha vó, as ruas que eu passava no ensino médio, de beber cerveja e jogar videogame. De apresentar você pros meus amigos e eles enxergarem que você não era o monstro que eu pintava quando nós dois brigávamos.

É preciso seguir em frente e aqui vem a parte difícil, pois há tanto você nos lugares que eu passo quase todo dia que fica difícil não se doer todo e desviar o pensamento pra algo que não seja sua presença. Não esqueço dos braços dados na esquina da minha casa, da sua mão no meu rosto na estação de trem, do nosso lugar favorito no bar.

Você sempre esteve longe de ser decente ou correto e isso eu demorei pra entender. Mas ainda assim, no mesmo de toda podridão que procurei evidenciar em você e esconder em mim, meu sentimento por você sempre foi verdadeiro.

Desejo-lhe sorte daqui pra frente. Sorte de encontrar o amor verdadeiro, sorte de encontrar a verdade nas pequenas coisas, sorte de por a cabeça no lugar e seguir seu rumo, feliz. E um dia, quem sabe, a gente retome o que era verdadeiro da onde parou.

Um abraço.

domingo, 23 de junho de 2013

Amanhã

É difícil chamar por quem ainda não se conhece. Então, mais uma vez, vou chamá-lo de você.

Você não sabe, mas ultimamente tenho tomado mais reveses emocionais do que poderia esperar. Tenho fumado meus cigarros (não-caretas) quase todos os dias. Fui me desperdiçando um pouco em cada um desses desamores na esperança que, de tanto ter apanhado, eu chegue a você do jeitinho que eu precise ser pra mostrar meu melhor lado. Como um diamante lapidado mesmo.

Minha relação com você nunca será superficial. Pode ser pesada, mas será também profunda. Vou imaginar o início dos anos 90 e me perguntar por onde você andou durante todo esse tempo. Se passou pelas mesmas ruas que passei, nas lojas que entrei ou nas cidades que visitei. Vou querer saber o nome da sua mãe, seu primeiro amor, a professora inesquecível, o que você acha da morte.

Quero saber o nome do seu melhor amigo, do seu primeiro cachorro, se você já quebrou o braço, o que acha de reencarnação, sua posição favorita na cama, seu time de futebol, sua disciplina favorita.

E eu vou querer ver fotos. Muitas fotos. Olhando e lhe perguntando se, naquela foto antiga em que você segurava uma garrafa de cerveja, você sabia que um dia iria me encontrar e que teríamos passado tão bons momentos juntos.

E é olhando no passado que lhe espero no futuro. Você, que neste momento está na balada, em casa estudando, no trânsito, na passeata, ainda não sabe que lhe escrevo um texto.

Mas vê se não demora, que olha, vou cobrar esse sua ausência e é com juros, juro.


domingo, 16 de junho de 2013

Pra não dizer que não falei das flores

Foi como um daqueles sonhos estranhos que nos fazem acordar com um gosto amargo na boca. Tudo começou como um sonho azul, desses sem uma nuvem no céu. Aí as nuvens foram se avolumando, chegando de mansinho. E aí tudo ficou cinza, cinza chumbo, pesado, sufocante. Aí acordei.


Good luck and farewell.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Queda Livre

Caindo, caindo, caindo...

segunda-feira, 15 de abril de 2013

É só o amor que move.


O que é o amor e onde estará?
Será que esta na sala de estar?
Correndo pelo corredor?
Ininterrupto interruptor?
Desperdiçado na dispensa?

O amor esta em quem já deu
Em que doou em quem doeu
Está onde há céu, onde há mar, não há meu
Onde Deus ama teu Deus do seu

É só amor, é só amor que move
Lave, leve, love
Lave-me em água de chuva
Leve-me pra ver o mar e love me

É só amor, é só amor que move
Lave, leve, love
Lave-me em água de chuva
Leve-me pra ver o mar e love me

O amor está em quem já deu
Em quem doou em quem doeu
Está onde há céu, onde há mar, não há meu
Onde Deus ama teu Deus do seu

terça-feira, 26 de março de 2013

Corda Bamba

A vida agora seria assim: andar numa corda bamba, alta, altíssima, sem a rede de proteção.

Talvez viver fosse isso: aproveitar o que foi bom, resistir até não aguentar mais e cair fora.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Errante

A princípio, meus passos seriam incertos sem você. Sua falta seria sentida em cada vez que eu buscasse seus olhos pela manhã e encontrasse então nada além do vazio ou pior, outros olhos, que em nada se pareceriam com os seus esverdeados e malandros.

Ainda que eu pouco represente pra você, sua ausência daria mais sentido à frase de que não existe amor em SP. Eu faria de tudo para me colocar no seu lugar, entender seus novos rumos, suas novas amizades, seus novos risos, divagando sobre sua vida até encontrar sentido novo na minha.

Dói-me no peito reconhecer que serei apenas outra pessoa que passou pela sua vida e que, por algum motivo, também não permaneceu nela, como todas as outras. Dói saber que não terei sido o diferencial que eu sempre almejei ser, o turning point de algo diferente, novo, ainda não concebido nos seus mais loucos devaneios.

Tenho buscado a serenidade de lhe esperar. Você, longe de ser perfeito, me fez entender outra faceta dos sentimentos e de como tudo pode acabar repentinamente, sem confete, sem futuro, sem final feliz.

Decidi que não quero isso. Se antes o receio era forte, hoje não tenho medo de ousar e dizer que foi amor. Que ainda é amor. Embora diferente, irresoluto e pre-maturo, meu amor por você nasceu e criou raízes que embora calcadas na impossibilidade da correspondência, abalaram meu ser. Foi real e é isso que importa.

Acho que no fim, eu só queria lhe parabenizar, RPF. Você, que de todos os meus tormentos foi o mais sacana, definitivamente ganhou uma sigla aqui.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Grand Hotel


Se a gente não tivesse feito tanta coisa,
Se não tivesse dito tanta coisa,
Se não tivesse inventado tanto
Podia ter vivido um amor Grand' Hotel.
Se a gente não fizesse tudo tão depressa,
Se não dissesse tudo tão depressa,
Se não tivesse exagerado a dose,
Podia ter vivido um grande amor.
Um dia um caminhão atropelou a paixão
Sem teus carinhos e tua atenção
O nosso amor se transformou em "Bom Dia"

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Cores

E a força da renovação persistia. Estava decidido a mudar muita coisa. 

E ele renovava o quarto, o guarda-roupas, emoldurava o tão sonhado quadro do Tournée du Chat Noir. Emoldurava também seus feitos mais bacanas e deixava correr livres as luzes que sabia ter dentro de si. Agradecia mentalmente sempre o Caboclinho, que com palavras simples e profundas, havia limpado sua alma, quase como um banho de mar em dia de sol forte. 

Fazer-se-ia reinventado, reluzente, como sempre deveria ter sido. Como a dona de divinas tetas, sabedor de si. 

As cores agora seriam de Almodóvar, de Yollanda. E disso tinha certeza. 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013