É difícil chamar por quem ainda não se conhece. Então, mais uma vez, vou chamá-lo de você.
Você não sabe, mas ultimamente tenho tomado mais reveses emocionais do que poderia esperar. Tenho fumado meus cigarros (não-caretas) quase todos os dias. Fui me desperdiçando um pouco em cada um desses desamores na esperança que, de tanto ter apanhado, eu chegue a você do jeitinho que eu precise ser pra mostrar meu melhor lado. Como um diamante lapidado mesmo.
Minha relação com você nunca será superficial. Pode ser pesada, mas será também profunda. Vou imaginar o início dos anos 90 e me perguntar por onde você andou durante todo esse tempo. Se passou pelas mesmas ruas que passei, nas lojas que entrei ou nas cidades que visitei. Vou querer saber o nome da sua mãe, seu primeiro amor, a professora inesquecível, o que você acha da morte.
Quero saber o nome do seu melhor amigo, do seu primeiro cachorro, se você já quebrou o braço, o que acha de reencarnação, sua posição favorita na cama, seu time de futebol, sua disciplina favorita.
E eu vou querer ver fotos. Muitas fotos. Olhando e lhe perguntando se, naquela foto antiga em que você segurava uma garrafa de cerveja, você sabia que um dia iria me encontrar e que teríamos passado tão bons momentos juntos.
E é olhando no passado que lhe espero no futuro. Você, que neste momento está na balada, em casa estudando, no trânsito, na passeata, ainda não sabe que lhe escrevo um texto.
Mas vê se não demora, que olha, vou cobrar esse sua ausência e é com juros, juro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário