terça-feira, 16 de junho de 2015

Rainy Zurich

Te escrevo daqui, no auge do nosso amor que poderia ter sido, mas não foi. Das coisas que ficaram, tem aqueles dois episódios finais da serie dos anos 90 que passei a gostar por tua causa. Ficaram as idas ao shopping, as compras no supermercado, os bares da rua dos Pinheiros, a certeza do teu abraço pela manhã.

Ficaram as cervejas nos copos americanos, as mensagens cotidianas, teus dedos apertando as cordas da guitarra, o por-do-sol na sacada, os carnavais tresloucados, a promessa de um dia conhecer a Bahia de Todos os Santos pelas tuas lentes. Nem nosso picolé favorito escapou de ficar pra trás.

Sobraram espaços na cama, separaram-se as escovas que nunca estiveram, por verdadeira e espontânea vontade, juntas. Fizeram-se ausentes as mensagens das seis da tarde, perguntando pelo meu paradeiro com o misto de saudade e preocupação de ficar trancado pra fora de casa. Ficaram também as noites e dias de desejo e prazer que ganharam um tom certeiro de intimidade.

Ficaram as fotos e mensagens no celular, que tive tanta dificuldade de arquivar. Ficaram os sorrisos, as palavras sacanas, o medo que foi apaziguando e dando lugar aos abraços. Ficaram as festas juninas de bingo furado, as intimidades, a paciência. Ficaram os versos que eu iria te dedicar, mas que por um descuido nosso, congelaram no tempo que não tivemos. Ficam aqui, ainda que in memoriam:

"Maybe I'll find you, maybe I won't
Maybe I'll try to even if I don't
You are what I never knew I needed
What I never knew I needed
What I never knew I needed
We're almost there"


Acordei assustado, com o gosto salgado das lágrimas que choviam, assim como o dia lá fora, na alma. Chovia também na São Paulo que nos aproximou, como na Zurique que embalava minhas lembranças da tua presença.

Te escrevo daqui, sem arrependimentos e sem saber o que fazer com meu sentimento, mas com a certeza de que a gente segue em frente e que a roda continua a girar.

Um beijo cheio de carinho que sempre te tive,

Feu.