No sábado havia feito um pedido ao céu muito estrelado do interior de Minas Gerais. Havia pedido um reencontro, para que pudesse dar uma última olhada. Foi atendido mais rápida e inesperadamente do que pensava. Estava à toa, pulando carnaval distraídamente quando foi notado por duas personagens do passado. Com elas, vieram à tona toda a intensidade e todo o sentimento guardado através dos anos.
Estavam todos mudados, sem dúvida. Haviam crescido, suas feições já não eram mais infantis, tornando-os todos discretamente imperceptíveis a um olhar descuidado. Mas foi ali, naquela cidadezinha do interior, na praça onde todos pulavam carnaval despreocupadamente, na praça bucólica que já havia sido palco de tantos amores e desamores, foi ali onde seus olhares cruzaram. A música já não parecia tão alta naquele milésimo de instante em que os olhos se encontravam e tão logo se desencontravam e tomavam seu rumo. Para um observador não tão atento assim, nada havia acontecido. Mas no coração do garoto, seu mundo havia girado mais rápido do que podia acompanhar e de alguma forma, sentia-se aquele moleque de 11 anos quando pusera seus olhos nas míticas personagens pela primeira vez.
"Você foi para um país distante
Li agora o seu cartão postal
Sua foto na estante
Te vejo ano que vem
No carnaval
Chove chuva, chuva chove
Cai do céu pro chão
Corre e vem lavar o meu rosto
Eu sei de tudo o que acontece entre a gente
Nem imagino tentar te esquecer
Não vejo a hora de te ver novamente
E ficar com você
Chuva na Janela - Jammil e Babado Novo