Você chegou na minha vida de uma maneira bem comum, na verdade. Mais um no fluxo natural e, diga-se de passagem, rápido que a minha vida tomou nos últimos meses. Mas eu lembro certinho a primeira vez que lhe vi, naquela pequena sala da empresa, com cara de cansado. Aliás, estávamos todos cansados naquele dia.
Eu lembro que você estava tão comum quanto alguém poderia estar. E ainda assim mexeu com meus brios, quase me fazendo voltar à época adolescente. O melhor de tudo é saber que você é tão comum quanto eu. Não sei afirmar ainda se é inalcançável ou quais segredos você esconde: sei apenas afirmar que outro igual a você eu dificilmente vou encontrar, se o destino não for generoso comigo.
Aí você não sabe do que eu vou falar agora, mas eu pedi um sinal na minha vida. E aí você muda pra onde eu trabalho, ali do ladinho. Aí descubro tudo sobre você e ainda assim, nada. Só sei que cada vez que a gente se esbarra, você me dá um quase frio na barriga. E, acredite, isso é muito.
Minha ousadia tem sido crescente com você. Se eu não achasse que você valesse a pena, eu não iria tantas vezes na sua sala falar sobre coisas banais. Nem iria lhe chamar pra almoçar. E nem iria torcer pra sua mão esbarrar na minha ou abrir o email e ver que você me aceitou naquele rede social meio escrota.
Você, que ainda não tem sigla aqui, tem mexido comigo de uma maneira que foge das minhas idealizações convencionais, sempre tão frustrantes. Você tem um sabor ainda desconhecido e eu juro que se você me der a chance, eu vou provar.
Vou provar como quem tem provado cada dia desse mês de julho, desse mês de sonho. E eu não quero nem ver quando chegar a hora de acordar.
Atualização:
Hoje, 2 de Outubro, você pediu demissão. Foi um demorado mês de Julho. Goodbye stranger, it's been nice...