Alta, altíssima. Escandalosamente alta.
Os passos, por vezes silenciosos, nem se faziam notar quando você chegava, diariamente, no horário matinal.
Loud, do inglês.Alta, não em altura, mas alta nos sonhos e aspirações. Vibrava e, aos ouvidos mais treinados, gritava.
A maioria não escutava, é claro. Como poderiam? A risada esganiçada e escandalosa também era espontânea, o que me fazia corar de vergonha e de rir junto. Rir junto era sempre mais gostoso, desses risos de inclinar a cabeça pra trás e cair na gargalhada de uma coisa absolutamente banal.
Sentíamos, nós dois. Sentíamos o mundo, as injustiças, as perdas. Continuávamos. Continuamos. Como metamorfoses ambulantes imutáveis.
Das preciosidades que guardo, tem carinho especial no meu coração as nossas conversas no trem. Agora tudo mudou e não pegamos mais o trem juntos, mas as boas lembranças continuam e me fazem companhia. Como aquela cerveja despretensiosa, sentados na estação de casa, que guardo comigo junto ao peito.
Albert Camus diz que "não é nenhuma vergonha ser-se feliz; vergonhoso é ser feliz sozinho." Como se, de alguma forma, isso fosse possível. Tanto eu quanto você sabemos que "happiness is only real when shared". Talvez só a gente saiba. Talvez não.
(...)
Agora meu coração está aflito. "Corações ao alto", dizia o padre. Loud, loud and high big ol' hearts.
Nosso Coração, tenho certeza, está em Deus.
Como um sino que mostra a direção, você deu viva-voz ao meu coração.
Camus.
Camis.
Ensurdecedora.
Você.