quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Diálogos

Sentado na mesinha de seu quarto em São José, como de costume, ele pensava na conversa que tinha tido com L., no dia anterior. “Com certeza esta conversa renderá um bom texto em meu blog, L.” – dizia.

Falaram de tudo: dos desentendimentos com os colegas, do passar do tempo, de tudo. O vento noturno batia nos rostos e esfriavam os corpos que, parados no desconfortável parapeito da janela, dialogavam sobre o que havia passado até ali. Estavam crescendo, ele e ela. Sim, certamente estavam crescendo com tudo o que acontecia.

Ele se sentia feliz por ela estar ali, do lado dele. Não sabia por quanto tempo seus caminhos ainda estariam unidos, mas orava para que permanecessem assim por mais um bocado de tempo.

Começaram então a falar da falta de autocrítica das pessoas, de como essas pessoas não sabiam se avaliar, não sabiam ser críticos a respeito do mundo porque simplesmente não tinham vivência de mundo. Não tinham, ao menos, a vivência de mundo que se fazia necessária para serem mais críticos. “Deixe estar, um dia o mundo ensina a lição.” – concluíam.

Então falavam das pessoas muito inteligentes, quase verdadeiros gênios matemáticos e científicos que, quando se deparavam com assuntos que nunca tinham visto ou sentido, logo se transformavam em conservadores preconceituosos, homofóbicos, racistas. E falavam de como aquilo enchia o saco, de como aquele tipo de gente os deixava com preguiça e tristeza. Mais uma vez, concluíam, o mundo se encarregaria de ensiná-los que a vida é muito mais do que o conservadorismo religioso e ‘moral’ que lhes fora ensinado, desde sempre.

Então respiravam fundo, a noite estava quase no fim e o bar fechava. Tomaram um último gole da bebida que não pediram e saíram abraçados contra o repentino frio da noite.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Mundo Afora

Era incrível como em uma semana havia colocado seus olhos em paisagens e pessoas que nunca antes imaginara na vida. Havia experimentado das emoções as mais diversas: a adrenalina do impulso que o avião dá na decolagem, o estranhamento por estar numa região do Brasil com hábitos bem distintos, a delícia da descoberta do bombom de mangaba, o deslumbre ao se deparar com pessoas extremamente interessantes e cheias de histórias para contar, a raiva por ter sido completamente esquecido durante todo um dia, um estranho dèja vu ao se deparar com uma igreja no alto de um morro, onde as bandeirolas de festa junina ainda insistiam em exalar uma época do ano cheia de sabores, dissabores, amores e desamores, todos iluminados por uma fogueira bem grande.
Mas o que talvez mais tenha balançado o coração daquele rapaz era como ele havia encontrado mundo afora uma casa cheia de amor e saudade, e um menino simples que, através de coisas simples, havia chamado sua atenção para a vida. Havia aproveitado cada segundo daquele local, daquela companhia, mas agora estava há muitos quilômetros de distância. Tudo o que sabia era que, ao deixar aquele local, havia também deixado uma parte do seu coração no interior do Sergipe, com pessoas que provavelmente o esqueceriam, mas que sempre fariam parte de uma lembrança gostosa na alma daquele rapaz.