sexta-feira, 22 de julho de 2011

Praia ou Campo?

O corpo dourado, o tererê, a areia a se espalhar pelos dedos do pé, o sol.

Ele gostava do cheiro de protetor solar, de acordar cedo e comer melhor, das músicas-axé que desde tempos imemoriais lhe animavam o período litorâneo de férias. O cheiro da maresia se mesclava com o cheiro de lembrança boa, de lembrança gostosa de ser lembrada.

Fossem as tatuagens de Henna, a "farofada", a família junta, o deitar na rede e pensar em amores há muito esquecidos, a brisa noturna nos passeios pela orla; fosse o apartamento do tio em Ubatuba, Marbella Flats ou até o apartamento dos amigos, não importava: tudo aquilo era imensamente caro, imensamente precioso, imensamente disfarçado de cotidiano, de banal.

Era a época de gordices gostosas, seguidas pelas eternas promessas de ano-novo-vou-emagrecer, era a época de raspadinhas, de coco gelado, de pastel, cerveja gelada, milho no pote e Jammil e Uma Noites ou, como preferiam as pessoas agora, sertanejo universitário.

Era a época de noites quentes e amores breves, jurados inesquecíveis mas que não resistiam ao recomeço das aulas e do cotidiano na cidade grande. Sim, era, de fato, uma época preciosa.

E quando lhe perguntavam "praia ou campo", ele hesitava. Mas agora ele tinha certeza: definitivamente praia!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Ser Grande

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Fernando Pessoa