Ele gostava do cheiro de protetor solar, de acordar cedo e comer melhor, das músicas-axé que desde tempos imemoriais lhe animavam o período litorâneo de férias. O cheiro da maresia se mesclava com o cheiro de lembrança boa, de lembrança gostosa de ser lembrada.
Fossem as tatuagens de Henna, a "farofada", a família junta, o deitar na rede e pensar em amores há muito esquecidos, a brisa noturna nos passeios pela orla; fosse o apartamento do tio em Ubatuba, Marbella Flats ou até o apartamento dos amigos, não importava: tudo aquilo era imensamente caro, imensamente precioso, imensamente disfarçado de cotidiano, de banal.
Era a época de gordices gostosas, seguidas pelas eternas promessas de ano-novo-vou-emagrecer, era a época de raspadinhas, de coco gelado, de pastel, cerveja gelada, milho no pote e Jammil e Uma Noites ou, como preferiam as pessoas agora, sertanejo universitário.
Era a época de noites quentes e amores breves, jurados inesquecíveis mas que não resistiam ao recomeço das aulas e do cotidiano na cidade grande. Sim, era, de fato, uma época preciosa.
E quando lhe perguntavam "praia ou campo", ele hesitava. Mas agora ele tinha certeza: definitivamente praia!