Há muito tempo eu não via Central do Brasil, e acho que pela primeira vez, no dia 30 de dezembro de 2008, eu tenha visto o filme completo. Eu sempre tive uma certa queda por filmes que retratassem da pessoa, do destino incerto e dos truques que o tempo pregava na gente, tudo isso aqui, no Brasil, no sertão que seca e endurece o coração. Revelando as paisagens naturais, do Rio de Janeiro até o nordeste do país, Walter Salles mostra, através dos cenários, a aridez que permeia a vida e o coração de muitas pessoas.
Através de Josué, Dora redescobre o afeto, que há muito tempo acreditava que havia perdido. No final do filme descobri, através da Guê, que meu coração não está seco. Acho que nunca um filme conseguiu me fazer chorar tanto e ver tanta beleza no Brasil e nos brasileiros como conseguiu "Central do Brasil".
Abaixo, transcrevo a carta que Dora, "escrevedora de cartas", escreve a Josué, dizendo que há muito tempo não escreve uma carta a alguém. Nela, Dora diz a ele que guarda o retrato que eles tiraram na festa de Padre Cícero. E você? O que tem para se lembrar, para não esquecer daqueles que ama?
Dora: “Josué, faz muito tempo que eu não mando uma carta para alguém, agora estou mandando essa carta para você. Você tem razão, seu pai ainda vai aparecer e com certeza ele é tudo aquilo que você diz que ele é. Eu lembro do meu pai me levando na locomotiva que ele dirigia. Ele deixou eu, uma menininha, dar o apito do trem a viagem inteira. Quando você estiver cruzando as estradas no seu caminhão enorme, espero que lembre que fui eu a primeira pessoa a te fazer botar a mão no volante. Também vai ser melhor para você ficar aí com seus irmãos, você merece muito mais do que eu tenho para te dar. No dia que você quiser lembrar de mim, dá uma olhada no retratinho que a gente tirou junto. Eu digo isso porque eu tenho medo que um dia você também me esqueça. Tenho saudade do meu pai, tenho saudade de tudo.
Dora.”
http://www.youtube.com/watch?v=MywJelUl6c0