Lembro daquela vez que tu tentaste me ensinar alguns golpes de jiu-jitsu. Lembro da tua foto, tu eras bem pequenininho, 5 anos, talvez nem isso, com a garrafa de Brahma na mão. Lembro das vezes que tu ficavas sozinho no pátio da escola e de como meu coração se apertava ao ver a cena.
Lembro ainda, de maneira difusa, quase esquecida, da primeira vez que te vi. Era a própria Maria Helena que havia me trazido até a porta da sala, numa aula de português da Silvana. E lá estavas tu, me olhando com desdém, com desconfiança, arrogante.
Lembro das tardes com Nickelback e Alanis tocando ao fundo. Até da música do Ira!, que tocou naquela vez que ligamos a tevê na MTV, eu lembro.
Nunca vou esquecer aquela última vez em 2002. Se eu pudesse, voltava no tempo, voltava e te dava um abraço de boas férias. Não desceria aquelas escadas novamente. Lembro ainda das conversas no ICQ, que eu lia e relia tantas vezes à noite. Lembro que tu dissestes que para construir uma amizade levava anos, mas que para destruí-la bastava apenas um minuto. (...)
Lembro - agora cada vez menos, confesso - do toque da tua pele na minha. E de como só isso era capaz de faze percorrer uma corrente elétrica no meu corpo, de me tirar o ar, de me deixar bobo, fantasiando à noite sobre os acontecimentos daquela tarde.
Talvez fosse o teu jeito ingênuo e turrão, que me deixava em apuros com meus amigos. Jeito esse que, quando o público ia embora, se transformava em jeito de menino que pedia colo. E eu sempre dava, é claro, à minha maneira.
Ainda hoje, vez ou outra, olho pro teu prédio colorido. Tudo mudou, o tempo passou e é claro que tu não te lembras de nada disso. Tu não terias motivos para se lembrar dessas trivialidades, fatos insignificantes, coisinhas... sei lá. Talvez fosse o destino, a magia que fiz, ou apenas uma brincadeira cruel de Deus, não importa: ainda lembro.