terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Valsinha - Chico Buarque

Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

Não gosto da versão musicada dessa música, do Chico. Acho mórbida, e não imprime todo o tom e força que esse poema tem.
O poema tem aquele tão-presente tom de uma pequena vila, na festa de São João, com suas fogueiras, paus-de-arara, pipocas, simpatias e travessuras. Tem aquele tom de visitas ao Vô Pedro e da formatura do prézinho da Aline, em 1995. Aquele gosto do mundo mágico da leitura na quarta-série, do "Príncipes, Princesas, Sapos e Lagartos", do "Fantástico Mistério de Mister Flowers" e do inesquecível "Amor Impossível, Possível Amor" de Manuel Bandeira.

É....

Tem aquele gosto de infância gostosa e querida que só os sonhadores mais afortunados conseguem, ainda hoje, saborear. Gosto o qual tornava tudo mais colorido, mais intenso, mais vívido....

.... e menos clichê.