quinta-feira, 26 de março de 2009

Escassez e fome de mundo.

2009 certamente tem se mostrado um ano trabalhoso para mim. Um ano cheio de tarefas, cheio de maior responsabilidade, um ano em que preciso amadurecer mais rápido do que o normal e é, acima de tudo, um ano de ação. Ação para colocar meus planos para funcionar, ação para colocar em prática todos os meus desejos e anseios. Emagrecer, ficar mais inteligente, juntar dinheiro e viajar, minha grande paixão. Mas onde está a força necessária para colocar a ação em ação?

Na aula de Economia Internacional a professora disse que a economia é a ciência da escassez. Que é devido à escassez que surgiu à moeda, que surgiram as trocas comerciais, que foi a escassez que motivou os homens, lá nos tempos idos, a buscarem formas de suprir suas necessidades. Comecei a pensar então sobre um outro tipo de escassez, a escassez emocional, e cheguei à conclusão de que essa falta é muito maior nos corações do que a escassez financeira o é nos bolsos. Falta amor, falta carinho, falta compreensão, falta afeto, falta humildade, falta simplicidade de caráter. Faltam heróis de verdade e sobram demagogos, sobram pessoas que buscam reconhecimento a todo custo sem muitas vezes merecê-lo, sobram pessoas que mascaram suas terceiras intenções sob uma falsa cordialidade.

Tenho fome de mundo, tenho fome de intensidade. Tenho fome de um mundo de cores mais brilhantes e fortes, tenho fome de mais compreensão, tenho fome de mais amor, tenho fome de mais dinheiro (afinal, vivemos em um sistema capitalista!), tenho fome de viajar pelos países, tenho fome de aprender de verdade, tenho fome de mais tardes ensolaradas, tenho fome de mais beijos e abraços, tenho fome de verdade e libertação, tenho fome de Deus, tenho fome de espiritualidade, tenho fome de universidade.

Mas sobretudo, a fome que mais me inquieta é a fome de mudança. E só Deus sabe quantas foram as lágrimas derramadas, esperando inutilmente que essas pudessem, de alguma forma, me saciar.

domingo, 15 de março de 2009

Vontades

Às vezes tenho vontades loucas, sem pé nem cabeça. Vontade de ser quem eu sou, vontade de trabalhar, juntar dinheiro e me mandar pra bem longe, vontade de voltar correndo pra São José quando eu estiver ( e até quando eu estou) bem longe, vontade de enfiar lápis na tomada, vontade de arrotar na frente de todo mundo, vontade de me mudar pra São Paulo, vontade de dizer a todos com quem eu moro o que eu realmente penso dessa competição maldita e do fato de eu nunca me encaixar, de como eu sempre me sinto um estranho no ninho.

Às vezes tenho sim, como disse C., vontade de voltar no tempo. Vontade onde tudo era mais puro e intenso, cheio de olhares carregados de mais vontades e cheio de falas interrompidas pela incerteza gostosa, incerteza da descoberta.

Entretanto, como diz Amy Winehouse, ''But to walk away I have no capacity" e todas as minhas vontades ficam retesadas, esperando um dia, quem sabe, serem libertas do meu peito.