domingo, 17 de janeiro de 2010

5 segundos

Fim de ano. Festas. Correria. Calor. Notas que não saem. CNH que não sai. Contas. Ano-Novo. Promessas. Roupas novas. Academia. Baladas não tão freqüentes (graças a Deus!). Suspiro.

Ele sentia falta, sempre sentiu falta de sua cara metade. Já havia escrito e sentido um número infinito de coisas, tinha passado por algumas experiências, nenhuma satisfatória. Ele gostava do sorriso, das palhaçadas, das falas camaradas. Gostava do jeito todo brincalhão e de como o outro era azarado, sempre se machucando das maneiras mais bobas e engraçadas.

B. afirmava: "(...) ah, mas é sábado a noite e você imagina como deveria ser melhor estar com alguém legal, do que aqui conversando comigo...". Não, não era nada daquilo. Os sábados à noite nunca o incomodaram muito, na verdade. A ausência batia nos momentos mais inesperados e inconvenientes, como na espera do ponto de ônibus, nos almoços familiares na casa da vó ou na saída da missa, quando o domingo ensolarado prometia todo o tempo do mundo em conversas despreocupadas debaixo de uma árvore ou em abraços gostosos debaixo do edredon.

Ao se encontrar com A.H, ele tinha descoberto como ainda não havia desistido do amor. Não procurava uma estabilidade tediosa, bens materiais ou a certeza de um futuro seguro, certo, inevitável, como ela fazia. Ele procurava o amor, e que esse amor viesse cheio de vontade de percorrer o mundo, de entregar-se às incertezas que o futuro trazia. A estabilidade, pensava ele, viria depois.

Seu pneumotórax doía de vez em quando, o ano já vinha com cobranças cada vez maiores e a paciência oscilava entre benevolentemente forte e acidamente pequena. Tudo isso em 5 segundos.

Mas aí, de tanto pensar nesse mundaréu de coisas, ele já não tinha mais certeza de nada.