Acho que você é "resistance" ao passo que sou "madness".
Enquanto você luta pra não acordar "the thought police", eu sinto que algum tipo de loucura "is swallowing me whole."
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Galícia Baiana
Demorei pra me dar conta do quanto é difícil escrever sobre o que se tem de afável. Escrever sobre perdas é mais fácil, a desolação nos ajuda a dar voos rasantes em um lago de inspiração para escrever minhas mágoas por aqui.
De maneira cartesiana e até limitada, a forma que encontro pra falar de você é dividindo-me nas dicotomias que tanto discutimos. Ativo ou passivo. Direita ou Esquerda. Sem pelos ou com pelos. Galego ou mouro. Bahia ou São Paulo. Dominar ou ser dominado. Traição ou lealdade.
Começo pelas coisas boas, se é que existem as ruins. A começar pelo caráter, vi que o tal "homem de verdade" existia. Existia pela gentileza, pela paciência, pelos trejeitos de homem no melhor dos sentidos. Existia a carapaça dura, já engessada de tanto ensaiar um personagem para os outros e também existia o menino que pede colo, que cobra mimos e que não se cansa de oferecê-los a mim, desavisado que sou.
Existe também a guitarra empoeirada que me conquista a cada corda dedilhada e a cada acorde metálico. Existe o sotaque cantado e o bom vício nos games, existe o senso de humor, existem também os beijos cheios de vontade que, pasmem, me arrancam suspiros. É o sobrenome bonito, a mistura de Brasil com Egito, só que nesse caso o Egito é uma mistura de Alemanha, com Bahia, com Rio Grande do Sul e com a Galícia imaginária. É também a naturalidade como que encara algumas coisas que ainda me são assombrosas. É o tanto que eu aprendo e que também sei que ensino, em uma troca daqueles que te levam sempre pra frente. É também a sua vontade de mim e do meu corpo, vontade me conhecer e conhecer meus amigos, são as insinuações de que quer me conhecer de verdade.
Por fim, é o bom dia e o boa noite rotineiros que começam a trazer os ventos de algo concreto, de esboços de uma relação que nem sonhava possível apenas meses atrás.
Mas, como o poema do Ferreira Gullar, "uma parte de mim pesa, pondera. A outra delira".
Passado o delírio, é preciso colocar a cabeça no lugar e ponderar.
E aí vêm os medos e as vertigens. Vem o medo da deslealdade. Veio o medo de que nossas visões políticas sejam tão destoantes que impossibilite a convivência e os planos em conjunto. Vem a possibilidade de um dia você se apaixonar por um ser tão mais feminino, sublime, socialmente aceito, com um ventre tão úmido e fértil que tudo o mais, inclusive eu, se torne mera distração. Vem a grande e esmagadora realidade de que, em breve, eu já tenha deixado essa selva de pedra que me habituei a chamar de lar e voltar para uma realidade interiorana que já me é estranha, sufocante até.
Vem o medo do seu medo, depois superar meus próprios demônios de ser quem sou e de respirar os ares de liberdade tão duramente conquistados, de ser forçado a viver nas sombras, suspirando meios amores, meias carícias, metades de vida que nunca serão completas e naturais. Vem teu olhar furtivo para os lados enquanto me beija, como se cometêssemos o mais hediondo dos crimes.
Vem o medo de que você decida que já não basto ou pior ainda: que eu decida, como quem gira a maçaneta de uma porta, que pra mim isso já não basta, que eu preciso de mais.
Saber que mistérios ainda vão pintar por aí, antes de mergulhar nessa noite escura, seria mais fácil. Já não sei se conseguiria dizer indolor, mas um curativo bastaria. Ainda não voamos alto o suficiente para que os danos sejam certos e irreversíveis se caíssemos. E sinto que, nessa altura toda, eu voo com as asas de Ícaro, frágeis e sensíveis ao calor e à altura quando deveria voar com as asas de boeing de última geração.
Mas aí, então, os braços se dão em abraços. E as declarações inesperadas de um "que bom que você está aqui", que me pegam desarmado e me atingem em cheio um coração que não sabe se pulsa. Vêm também os copos de bebida, os olhares de desejo trocados em meio às multidões, vem teu corpo procurando o meu, em carícias quase obscenas.
E as minhas certezas, já não tão delineadas, se confundem com a espuma das já inúmeras cervejas que tomamos pelos botecos sempre sujos das ruas mornas (mas nunca mansas) da zona oeste da cidade.
De maneira cartesiana e até limitada, a forma que encontro pra falar de você é dividindo-me nas dicotomias que tanto discutimos. Ativo ou passivo. Direita ou Esquerda. Sem pelos ou com pelos. Galego ou mouro. Bahia ou São Paulo. Dominar ou ser dominado. Traição ou lealdade.
Começo pelas coisas boas, se é que existem as ruins. A começar pelo caráter, vi que o tal "homem de verdade" existia. Existia pela gentileza, pela paciência, pelos trejeitos de homem no melhor dos sentidos. Existia a carapaça dura, já engessada de tanto ensaiar um personagem para os outros e também existia o menino que pede colo, que cobra mimos e que não se cansa de oferecê-los a mim, desavisado que sou.
Existe também a guitarra empoeirada que me conquista a cada corda dedilhada e a cada acorde metálico. Existe o sotaque cantado e o bom vício nos games, existe o senso de humor, existem também os beijos cheios de vontade que, pasmem, me arrancam suspiros. É o sobrenome bonito, a mistura de Brasil com Egito, só que nesse caso o Egito é uma mistura de Alemanha, com Bahia, com Rio Grande do Sul e com a Galícia imaginária. É também a naturalidade como que encara algumas coisas que ainda me são assombrosas. É o tanto que eu aprendo e que também sei que ensino, em uma troca daqueles que te levam sempre pra frente. É também a sua vontade de mim e do meu corpo, vontade me conhecer e conhecer meus amigos, são as insinuações de que quer me conhecer de verdade.
Por fim, é o bom dia e o boa noite rotineiros que começam a trazer os ventos de algo concreto, de esboços de uma relação que nem sonhava possível apenas meses atrás.
Mas, como o poema do Ferreira Gullar, "uma parte de mim pesa, pondera. A outra delira".
Passado o delírio, é preciso colocar a cabeça no lugar e ponderar.
E aí vêm os medos e as vertigens. Vem o medo da deslealdade. Veio o medo de que nossas visões políticas sejam tão destoantes que impossibilite a convivência e os planos em conjunto. Vem a possibilidade de um dia você se apaixonar por um ser tão mais feminino, sublime, socialmente aceito, com um ventre tão úmido e fértil que tudo o mais, inclusive eu, se torne mera distração. Vem a grande e esmagadora realidade de que, em breve, eu já tenha deixado essa selva de pedra que me habituei a chamar de lar e voltar para uma realidade interiorana que já me é estranha, sufocante até.
Vem o medo do seu medo, depois superar meus próprios demônios de ser quem sou e de respirar os ares de liberdade tão duramente conquistados, de ser forçado a viver nas sombras, suspirando meios amores, meias carícias, metades de vida que nunca serão completas e naturais. Vem teu olhar furtivo para os lados enquanto me beija, como se cometêssemos o mais hediondo dos crimes.
Vem o medo de que você decida que já não basto ou pior ainda: que eu decida, como quem gira a maçaneta de uma porta, que pra mim isso já não basta, que eu preciso de mais.
Saber que mistérios ainda vão pintar por aí, antes de mergulhar nessa noite escura, seria mais fácil. Já não sei se conseguiria dizer indolor, mas um curativo bastaria. Ainda não voamos alto o suficiente para que os danos sejam certos e irreversíveis se caíssemos. E sinto que, nessa altura toda, eu voo com as asas de Ícaro, frágeis e sensíveis ao calor e à altura quando deveria voar com as asas de boeing de última geração.
Mas aí, então, os braços se dão em abraços. E as declarações inesperadas de um "que bom que você está aqui", que me pegam desarmado e me atingem em cheio um coração que não sabe se pulsa. Vêm também os copos de bebida, os olhares de desejo trocados em meio às multidões, vem teu corpo procurando o meu, em carícias quase obscenas.
E as minhas certezas, já não tão delineadas, se confundem com a espuma das já inúmeras cervejas que tomamos pelos botecos sempre sujos das ruas mornas (mas nunca mansas) da zona oeste da cidade.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Inocência
I have lost my innocence for the past two years.
Lembro que naquela época eu tinha bastante energia. Naquela época, longínquos dois anos atrás, quase três, eu tinha menos quilos do que tenho hoje e mais frio na barriga.
As roupas ainda não estavam tão desgastadas e amareladas de desleixo. São Paulo ainda não causava amor, mas estranheza. E a vida ainda tratava de fazê-lo apaixonado, mais vivo, respirando mais fantasia.
Hoje respirava um ar preocupadamente seco. Hoje respirava ares de rompimento e mudança forçada. Ares, também, carregados de incerteza e medo do fracasso.
Naquela época tinha a esteira do prédio, a novidade nas festas, os caminhos nas estações de trem ainda não tão automáticos, robotizados. Naqueles tempos ainda sonhava de madrugada com toques deixados maliciosamente, no senso de carreira e de que talvez estivesse no caminho certo.
Naquela época fumava menos cigarrinhos descolados, os dentes era menos gastos de ansiedade. Hoje, porém, quase fuma os cigarros que estranhos lhe oferecerem e tem menos sonhos, mas os mesmos desejos, que transbordam.
O celular era pior, mas as mensagens eram revisitadas constantemente. O coração batia mais forte com cada gesto de carinho que sempre havia ousado sonhar. Em breve acabaria o chorare.
Os olhos pesavam, enfim. E tomava outro sopro de coragem para mudar.
Lembro que naquela época eu tinha bastante energia. Naquela época, longínquos dois anos atrás, quase três, eu tinha menos quilos do que tenho hoje e mais frio na barriga.
As roupas ainda não estavam tão desgastadas e amareladas de desleixo. São Paulo ainda não causava amor, mas estranheza. E a vida ainda tratava de fazê-lo apaixonado, mais vivo, respirando mais fantasia.
Hoje respirava um ar preocupadamente seco. Hoje respirava ares de rompimento e mudança forçada. Ares, também, carregados de incerteza e medo do fracasso.
Naquela época tinha a esteira do prédio, a novidade nas festas, os caminhos nas estações de trem ainda não tão automáticos, robotizados. Naqueles tempos ainda sonhava de madrugada com toques deixados maliciosamente, no senso de carreira e de que talvez estivesse no caminho certo.
Naquela época fumava menos cigarrinhos descolados, os dentes era menos gastos de ansiedade. Hoje, porém, quase fuma os cigarros que estranhos lhe oferecerem e tem menos sonhos, mas os mesmos desejos, que transbordam.
O celular era pior, mas as mensagens eram revisitadas constantemente. O coração batia mais forte com cada gesto de carinho que sempre havia ousado sonhar. Em breve acabaria o chorare.
Os olhos pesavam, enfim. E tomava outro sopro de coragem para mudar.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
o mendigo
saiu estressado do trabalho, como estava se tornando (infelizmente) de costume. inerte em seus devaneios de cansaço e raiva, subiu as escadas fétidas da estação e lá estava um homem maltrapilho, sujo. implorava uma moeda aos que desciam a escada, quase tocando-os.
tentou passar ileso, mas foi logo interceptado e o temor se confirmou: o homem, imundo, tocava-lhe as vestimentas e mãos, desesperado. mãos secas, ásperas, sujas e implorava dinheiro.
não soube dizer se eram verdadeiras ou não. desvencilhou-se irritado e subiu bufando as escadas.
sentou-se, falso aristocrata, no banco de plástico do trem, sentindo-se insensível a qualquer coisa, soterrado na sujeira da própria alma, no lamaçal de cansaço e ojeriza que estava se tornando.
olhou para os dedos finos, macios sem calos. insensível e seco era o seu coração burguês.
tentou passar ileso, mas foi logo interceptado e o temor se confirmou: o homem, imundo, tocava-lhe as vestimentas e mãos, desesperado. mãos secas, ásperas, sujas e implorava dinheiro.
não soube dizer se eram verdadeiras ou não. desvencilhou-se irritado e subiu bufando as escadas.
sentou-se, falso aristocrata, no banco de plástico do trem, sentindo-se insensível a qualquer coisa, soterrado na sujeira da própria alma, no lamaçal de cansaço e ojeriza que estava se tornando.
olhou para os dedos finos, macios sem calos. insensível e seco era o seu coração burguês.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Mensagem para alguém
Volta
Que eu perdoo teus caminhos, teus vícios
Que eu volto até o início
Te carregando mais uma vez de volta do bar
Volta
Que sem você eu já não posso viver
É impossível ter de escolher
Entre teu cheiro e nada mais
Volta
Que o caminho dessa dor me atravessa
E se não houver volta, que haja pra frente, que hoje é o único caminho que eu consigo sonhar.
Que eu perdoo teus caminhos, teus vícios
Que eu volto até o início
Te carregando mais uma vez de volta do bar
Volta
Que sem você eu já não posso viver
É impossível ter de escolher
Entre teu cheiro e nada mais
Volta
Que o caminho dessa dor me atravessa
E se não houver volta, que haja pra frente, que hoje é o único caminho que eu consigo sonhar.
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Menos uma.
Depois de perceber como meu pensamento ainda é muito tapado e, mesmo me esforçando, ainda penso e me comporto como a classe média que eu tanto critico, decidi deletar meu twitter.
Das coisas boas, ao menos despertou alguma vontade de mudar e grau de consciência.
Das coisas boas, ao menos despertou alguma vontade de mudar e grau de consciência.
sábado, 21 de junho de 2014
à cause de toi
Por sua causa, agora a zona norte da cidade tem mais sentido na minha vida e amarra mais um pedaço meu ao interior.
Por sua causa a data de 17 de outubro de 1984 passou a ter um novo significado.
Por sua causa arrepiei vendo aquela sua foto em que você não tinha mais do que 10 anos e, com indescritível alegria me perguntei onde eu estava no momento em que aquela foto foi tirada.
Por sua causa, meu mundo voltou - ainda que em doses homeopáticas diárias de apenas frações de segundos - a ser mais colorido e ter mais sentido, por mais piegas que isso possa soar.
Por sua causa, terei que agradecer a Santo Antônio e concordar que toda sexta-feira 13 não dá azar, mas sorte.
Por sua causa, passei a recorrer a todos os sites de astrologia que eu conhecia para ver nosso "match" amoroso.
Por sua causa, o mês de junho passou a ser verão e tardes ensolaradas de cerveja, churrasco e - pasme - até futebol.
Por sua causa tô tendo que aprender a dançar a dança dos relacionamentos e constatar - de novo - o quanto isso é estúpido.
E tudo isso pode acabar sem nem ter começado.
Por sua causa a data de 17 de outubro de 1984 passou a ter um novo significado.
Por sua causa arrepiei vendo aquela sua foto em que você não tinha mais do que 10 anos e, com indescritível alegria me perguntei onde eu estava no momento em que aquela foto foi tirada.
Por sua causa, meu mundo voltou - ainda que em doses homeopáticas diárias de apenas frações de segundos - a ser mais colorido e ter mais sentido, por mais piegas que isso possa soar.
Por sua causa, terei que agradecer a Santo Antônio e concordar que toda sexta-feira 13 não dá azar, mas sorte.
Por sua causa, passei a recorrer a todos os sites de astrologia que eu conhecia para ver nosso "match" amoroso.
Por sua causa, o mês de junho passou a ser verão e tardes ensolaradas de cerveja, churrasco e - pasme - até futebol.
Por sua causa tô tendo que aprender a dançar a dança dos relacionamentos e constatar - de novo - o quanto isso é estúpido.
E tudo isso pode acabar sem nem ter começado.
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Farsa
Ele não sabia fazer quase nada de concreto, resolvia pepinos que não mudavam porra nenhuma a sociedade em que vivia e não sabia justificar seu salário na empresa onde trabalhava.
Que faz de conta!
Que faz de conta!
terça-feira, 20 de maio de 2014
sobre meios calmantes
"So you live from day to day,
and you dream about tomorrow, oh.
And the hours go by like minutes
and the shadows come to stay
So you take a little something to make them go away..."
and you dream about tomorrow, oh.
And the hours go by like minutes
and the shadows come to stay
So you take a little something to make them go away..."
sexta-feira, 16 de maio de 2014
tempos líquidos
é tudo bem simples, na verdade. basta um botão e pronto, você não faz mais parte da minha vida e toda a nossa história é jogada pra debaixo do tapete.
será?
será?
quinta-feira, 15 de maio de 2014
drowning
Old habits die hard.
O sobrepeso,o gozo indevido, a desistência dos projetos, a busca pelo Dom (sabia tê-lo), os milhões de livros pra ler, a fronha encardida, a viagem pela América do sul, as unhas que voltaram a ser roídas (e os dentes detonados, por consequência),a saudade de um banzo, a saudade do frio na barriga, a notícia de que ele foi pra longe de São Paulo, o tédio das redes sociais e de flerte, as horas intensas de trabalho intenso, o olhar assustador do velho louco do cachorro fofo, a ausência do pai,a raiva do pai, a raiva da direita política, a incompreensão, os surtos de ódio e depois de lágrimas, a procrastinação, a procrastinação, a procrastinação, a procrastinação, a procrastinação, a procrastinação,a procrastinação, a procrastinação,a procrastinação, a procrastinação,a procrastinação, a procrastinação.
Old habits die hard.
O sobrepeso,o gozo indevido, a desistência dos projetos, a busca pelo Dom (sabia tê-lo), os milhões de livros pra ler, a fronha encardida, a viagem pela América do sul, as unhas que voltaram a ser roídas (e os dentes detonados, por consequência),a saudade de um banzo, a saudade do frio na barriga, a notícia de que ele foi pra longe de São Paulo, o tédio das redes sociais e de flerte, as horas intensas de trabalho intenso, o olhar assustador do velho louco do cachorro fofo, a ausência do pai,a raiva do pai, a raiva da direita política, a incompreensão, os surtos de ódio e depois de lágrimas, a procrastinação, a procrastinação, a procrastinação, a procrastinação, a procrastinação, a procrastinação,a procrastinação, a procrastinação,a procrastinação, a procrastinação,a procrastinação, a procrastinação.
Old habits die hard.
domingo, 27 de abril de 2014
Sobre o cigarro e outros vícios
Veio sabe-se lá de onde e perguntou:
- Tem fogo?
O "não", ensaiado ao longo das décadas e que refletia-se nos óculos velhos e nerds, transformou-se no surpreendente:
- Tenho sim.
Acendeu o cigarro da moça, que não esboçou agradecimento e foi embora.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Ensurdecedora
Alta, altíssima. Escandalosamente alta.
Os passos, por vezes silenciosos, nem se faziam notar quando você chegava, diariamente, no horário matinal.
Loud, do inglês.Alta, não em altura, mas alta nos sonhos e aspirações. Vibrava e, aos ouvidos mais treinados, gritava.
A maioria não escutava, é claro. Como poderiam? A risada esganiçada e escandalosa também era espontânea, o que me fazia corar de vergonha e de rir junto. Rir junto era sempre mais gostoso, desses risos de inclinar a cabeça pra trás e cair na gargalhada de uma coisa absolutamente banal.
Sentíamos, nós dois. Sentíamos o mundo, as injustiças, as perdas. Continuávamos. Continuamos. Como metamorfoses ambulantes imutáveis.
Das preciosidades que guardo, tem carinho especial no meu coração as nossas conversas no trem. Agora tudo mudou e não pegamos mais o trem juntos, mas as boas lembranças continuam e me fazem companhia. Como aquela cerveja despretensiosa, sentados na estação de casa, que guardo comigo junto ao peito.
Albert Camus diz que "não é nenhuma vergonha ser-se feliz; vergonhoso é ser feliz sozinho." Como se, de alguma forma, isso fosse possível. Tanto eu quanto você sabemos que "happiness is only real when shared". Talvez só a gente saiba. Talvez não.
(...)
Agora meu coração está aflito. "Corações ao alto", dizia o padre. Loud, loud and high big ol' hearts.
Nosso Coração, tenho certeza, está em Deus.
Como um sino que mostra a direção, você deu viva-voz ao meu coração.
Camus.
Camis.
Ensurdecedora.
Você.
Os passos, por vezes silenciosos, nem se faziam notar quando você chegava, diariamente, no horário matinal.
Loud, do inglês.Alta, não em altura, mas alta nos sonhos e aspirações. Vibrava e, aos ouvidos mais treinados, gritava.
A maioria não escutava, é claro. Como poderiam? A risada esganiçada e escandalosa também era espontânea, o que me fazia corar de vergonha e de rir junto. Rir junto era sempre mais gostoso, desses risos de inclinar a cabeça pra trás e cair na gargalhada de uma coisa absolutamente banal.
Sentíamos, nós dois. Sentíamos o mundo, as injustiças, as perdas. Continuávamos. Continuamos. Como metamorfoses ambulantes imutáveis.
Das preciosidades que guardo, tem carinho especial no meu coração as nossas conversas no trem. Agora tudo mudou e não pegamos mais o trem juntos, mas as boas lembranças continuam e me fazem companhia. Como aquela cerveja despretensiosa, sentados na estação de casa, que guardo comigo junto ao peito.
Albert Camus diz que "não é nenhuma vergonha ser-se feliz; vergonhoso é ser feliz sozinho." Como se, de alguma forma, isso fosse possível. Tanto eu quanto você sabemos que "happiness is only real when shared". Talvez só a gente saiba. Talvez não.
(...)
Agora meu coração está aflito. "Corações ao alto", dizia o padre. Loud, loud and high big ol' hearts.
Nosso Coração, tenho certeza, está em Deus.
Como um sino que mostra a direção, você deu viva-voz ao meu coração.
Camus.
Camis.
Ensurdecedora.
Você.
domingo, 26 de janeiro de 2014
domingo, 5 de janeiro de 2014
A memória que fica.
Tenho estado feliz a maior parte dos dias, graças a Deus. Com muitos altos e baixos, mas feliz nas pequenas coisas, nas cervejas com os amigos, nas alegrias efêmeras do cotidiano.
A vida vai bem, obrigado. O trabalho nem tanto, mas embora importante, dá sempre pra arranjar outro. Os cigarrinhos não-caretas tão em estoque, mas arrisco-me a dizer que estão, pouco a pouco,perdendo a graça.
Mas, entre um cigarrinho e outro, me vem a imagem de você, RPF. Esse final de ano foi difícil não graças às compras em shoppings lotados, rodoviárias com gente famosa no mesmo ônibus que eu, ou nem ainda ao fato de ter que trabalhar dia 24 de dezembro.
O que me doeu esse ano foi a sua ausência na minha vida, que senti como se de súbito tivesse mergulhado numa piscina gelada e me trouxesse memórias tão vívidas de você que, por alguns segundos, nem respirei direito.
Confesso que me torturei: lembrei das nossas conversas no trem, da sua coxa estratégica e maliciosamente encostando na minha e imaginei como seria legal ainda ser seu amigo. Ainda estar junto, dar risada e até brigar. A gente gostava de brigar, sejamos sinceros.
Mas 2014 chegou e você faz parte de um passado cada vez mais distante e não menos intenso. Espero que você seja feliz e que tenha mudado. Que tenha dado valor às coisas preciosas que você tem na sua vida.
Mas eu desejo ainda mais ser feliz. De reencontrar o frio na barriga, de viver o sentimento que você um dia despertou em mim. Mas dessa vez com alguém que o queira fazer não por vaidade ou necessidade de atenção, mas por me desejar de fato. E quando isso acontecer, RPF, só espero que você seja uma página virada e não mais que uma boa recordação, recordação esta que já não me fará suspirar pelos cantos em finais de ano.
A vida vai bem, obrigado. O trabalho nem tanto, mas embora importante, dá sempre pra arranjar outro. Os cigarrinhos não-caretas tão em estoque, mas arrisco-me a dizer que estão, pouco a pouco,
Mas, entre um cigarrinho e outro, me vem a imagem de você, RPF. Esse final de ano foi difícil não graças às compras em shoppings lotados, rodoviárias com gente famosa no mesmo ônibus que eu, ou nem ainda ao fato de ter que trabalhar dia 24 de dezembro.
O que me doeu esse ano foi a sua ausência na minha vida, que senti como se de súbito tivesse mergulhado numa piscina gelada e me trouxesse memórias tão vívidas de você que, por alguns segundos, nem respirei direito.
Confesso que me torturei: lembrei das nossas conversas no trem, da sua coxa estratégica e maliciosamente encostando na minha e imaginei como seria legal ainda ser seu amigo. Ainda estar junto, dar risada e até brigar. A gente gostava de brigar, sejamos sinceros.
Mas 2014 chegou e você faz parte de um passado cada vez mais distante e não menos intenso. Espero que você seja feliz e que tenha mudado. Que tenha dado valor às coisas preciosas que você tem na sua vida.
Mas eu desejo ainda mais ser feliz. De reencontrar o frio na barriga, de viver o sentimento que você um dia despertou em mim. Mas dessa vez com alguém que o queira fazer não por vaidade ou necessidade de atenção, mas por me desejar de fato. E quando isso acontecer, RPF, só espero que você seja uma página virada e não mais que uma boa recordação, recordação esta que já não me fará suspirar pelos cantos em finais de ano.
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