domingo, 28 de julho de 2013

"No que você está pensando?"

Era o que o facebook me perguntava todos os dias. O que estou pensando agora?

Se eu fosse escrever agora, acredito que todos os conteúdos seriam impublicáveis. Não, eu não poderia falar o que eu estava pensando agora, pois se pudesse escrever tudo o que meu coração tá transbordando, não haveria espaço suficiente na rede social para despejar toda a minha mágoa, minha confusão, minha espera, meus conflitos.

Eu escreveria que metade de mim é raiva e mágoa que sinto do meu pai e a outra é desejo de mudança e leveza. Escreveria que parte do meu espírito é frustração com o meu trabalho, com minha pós graduação e o desânimo que sinto ao pensar em ter que voltar pra uma rotina que não é verdadeira minha. Escreveria também que a outra parte do meu espírito é desejo, é busca pela verdade, pela realização plena em algo que vá mudar a sociedade verdadeiramente.

Escreveria o que linhas dificilmente conseguiriam traduzir, como caminhar pelas ruas de São José e sentir o passado mostrando quem eu sou, como aquela praça da finada Telesp na frente do meu dentista, ou o bar-boteco próximo à casa da minha vó ou ainda a rua do prédio colorido, próximo aos campos da Eletropaulo. Dificil seria colocar todo o sentimento em uns tantos caracteres, tão frios, monocromáticos, imutáveis.

Igualmente difícil seria falar da falta que vou sentir e de como eu tenho me anestesiado da ausência de um amor de verdade. De como, por outro lado, eu tenho estado fechado para balanço sem a verdadeira vontade de me relacionar com alguém.

Mas aí, ao invés de falar de coisas que o exterior não diz, como a dificuldade de trilhar um caminho próprio, posto uma foto bacana com uma legenda legal. E tento resumir essas confusões numa frase do Leminski ou numa frase de impacto qualquer.

Nenhum comentário: