segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O que realmente toca.

Há muito tempo eu não via Central do Brasil, e acho que pela primeira vez, no dia 30 de dezembro de 2008, eu tenha visto o filme completo. Eu sempre tive uma certa queda por filmes que retratassem da pessoa, do destino incerto e dos truques que o tempo pregava na gente, tudo isso aqui, no Brasil, no sertão que seca e endurece o coração. Revelando as paisagens naturais, do Rio de Janeiro até o nordeste do país, Walter Salles mostra, através dos cenários, a aridez que permeia a vida e o coração de muitas pessoas.
Através de Josué, Dora redescobre o afeto, que há muito tempo acreditava que havia perdido. No final do filme descobri, através da Guê, que meu coração não está seco. Acho que nunca um filme conseguiu me fazer chorar tanto e ver tanta beleza no Brasil e nos brasileiros como conseguiu "Central do Brasil".
Abaixo, transcrevo a carta que Dora, "escrevedora de cartas", escreve a Josué, dizendo que há muito tempo não escreve uma carta a alguém. Nela, Dora diz a ele que guarda o retrato que eles tiraram na festa de Padre Cícero. E você? O que tem para se lembrar, para não esquecer daqueles que ama?


Dora: “Josué, faz muito tempo que eu não mando uma carta para alguém, agora estou mandando essa carta para você. Você tem razão, seu pai ainda vai aparecer e com certeza ele é tudo aquilo que você diz que ele é. Eu lembro do meu pai me levando na locomotiva que ele dirigia. Ele deixou eu, uma menininha, dar o apito do trem a viagem inteira. Quando você estiver cruzando as estradas no seu caminhão enorme, espero que lembre que fui eu a primeira pessoa a te fazer botar a mão no volante. Também vai ser melhor para você ficar aí com seus irmãos, você merece muito mais do que eu tenho para te dar. No dia que você quiser lembrar de mim, dá uma olhada no retratinho que a gente tirou junto. Eu digo isso porque eu tenho medo que um dia você também me esqueça. Tenho saudade do meu pai, tenho saudade de tudo.

Dora.”

http://www.youtube.com/watch?v=MywJelUl6c0

4 comentários:

Danae disse...

Oi Felipe. Eu assisti "Central do Brasil" há mtos anos atrás, não lembro de detalhes.
"a aridez que permeia a vida e o coração de muitas pessoas." gostei do jeito que você colocou as palavras nessa parte.
Ah, agora que paro pra pensar, nossa...Além das memórias eu tenho algumas coisas bizarras pra lembrar de pessoas queridas hehe
O endereço do meu blog é: http://dan-meagainsttheworld.blogspot.com/
Bjuss

Anônimo disse...

Oie Fe ^^
Hum, assisti Central do Brasil faz um tempinho já, então meio que lembro por cima da história.
Sabe, não lembro muito bem se o filme me tocou, mas do jeito que você expos sua posição, isso sim foi bem interessante.
Gostei da parte que você grifou ''eu digo isso porque eu tenho medo que um dia você também me esqueça''. Quase todo mundo sente necessidade de fazer grandiosidades para ser lembrado, mas acho que não é necessário. Um sorriso, uma palavra, um gesto marcam mais. Sempre pensei nisso, que daqui a alguns anos meus amigos nem vão lembrar daquela Fabiana. Talvez nem você se lembre.
A vida é corrida mesmo, daqui a pouco vamos ter pouco tempo livre. Por isso que não podemos deixar de cultivar sempre.
Mas o que eu sei é que eu nunca vou esquecer. Porque as pessoas que eu realmente amo, estão bem guardadas aqui dentro.
bjinhus, Fe ^^ a gnt se fala!

Cris disse...

Oiee!
Como a sua amiga já comentou aí em cima tbm gostei muito da parte grifada "eu digo isso porque eu tenho medo que um dia você também me esqueça"! É engraçado como as pessoas em geral parecem ter esse medo...medo de ser esquecidas. Também tenho frequentemente...mas ultimamente eu prefiro acreditar que as pessoas que consideramos especias em algum momento de nossas vidas nunca nos esquecem, por mais que se afastem...talvez a vida seja assim mesmo, afinal, cada um precisa seguir seu destino e nem sempre o destino de todos aqueles que gostamos coincide com os nossos, mas eu torço para que, nem por isso, sejamos esquecidos.=)
Bjão!

Juliana disse...

como tds já comentaram...essa frase é mto forte...sempre passamos por momentos assim.