Sentado na mesinha de seu quarto em São José, como de costume, ele pensava na conversa que tinha tido com L., no dia anterior. “Com certeza esta conversa renderá um bom texto em meu blog, L.” – dizia.
Falaram de tudo: dos desentendimentos com os colegas, do passar do tempo, de tudo. O vento noturno batia nos rostos e esfriavam os corpos que, parados no desconfortável parapeito da janela, dialogavam sobre o que havia passado até ali. Estavam crescendo, ele e ela. Sim, certamente estavam crescendo com tudo o que acontecia.
Ele se sentia feliz por ela estar ali, do lado dele. Não sabia por quanto tempo seus caminhos ainda estariam unidos, mas orava para que permanecessem assim por mais um bocado de tempo.
Começaram então a falar da falta de autocrítica das pessoas, de como essas pessoas não sabiam se avaliar, não sabiam ser críticos a respeito do mundo porque simplesmente não tinham vivência de mundo. Não tinham, ao menos, a vivência de mundo que se fazia necessária para serem mais críticos. “Deixe estar, um dia o mundo ensina a lição.” – concluíam.
Então falavam das pessoas muito inteligentes, quase verdadeiros gênios matemáticos e científicos que, quando se deparavam com assuntos que nunca tinham visto ou sentido, logo se transformavam em conservadores preconceituosos, homofóbicos, racistas. E falavam de como aquilo enchia o saco, de como aquele tipo de gente os deixava com preguiça e tristeza. Mais uma vez, concluíam, o mundo se encarregaria de ensiná-los que a vida é muito mais do que o conservadorismo religioso e ‘moral’ que lhes fora ensinado, desde sempre.
Então respiravam fundo, a noite estava quase no fim e o bar fechava. Tomaram um último gole da bebida que não pediram e saíram abraçados contra o repentino frio da noite.
Um comentário:
Nossa, Fe ^^ pela primeira vez tô sem o que falar...E também, vc já disse tudo: um dia o mundo ensina a lição.
E ensina mesmo, não tem como escapar disso. Por isso que muitas vezes é melhor nem se preocupar com o que falam, pq mtos falam sem saber, sem ter sentido o mesmo.
bjinhus, I miss you a lot, you know that.
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