domingo, 28 de novembro de 2010

Desesperança

Minha saudade não tem nome. Tem uns tantos cheiros, alguns rostos, meia dúzia de histórias. Minha saudade é sinestésica, não tem nome mas tem gosto; gosto do sítio em Minas Gerais, gosto de ruas e janelas com cortinas quadriculadas. Minha saudade tem gosto de beijo que nunca aconteceu, tem gosto de música antiga, tem gosto de sertão. Tem gosto, cheiro e voz de madeira ardendo no fogão à lenha.

E hoje em dia é dessa saudade que eu tiro força pra enfrentar a desesperança. Eu tento não viver de saudade, mas a saudade vive de mim. Vive de quem eu fui, molda o que eu sou.

Eu sou a luta contra o ódio, a luta contra o preconceito, a luta contra o estereótipo. Eu sou a luta que busca não desistir em meio a desapontamentos, em meio a opressão. Eu sou a vontade de desistir e a lembrança do porquê não desistir.

Eu tento não viver de saudade, mas a saudade vive de mim.

Um comentário:

Fabi disse...

Uau.

Engraçado, Fe... Por mais que o presente seja novo e apresente tanta coisa maravilhosa, sempre vai existir aquele fiozinho de saudade dentro da gente. Saudade do que ficou, do que foi, e talvez saudade daquilo que nunca existiu.

bjinhus, Fe. Aproveite cada instante, pq qndo vc voltar, vai sentir saudade dessa época ;D