I have lost my innocence for the past two years.
Lembro que naquela época eu tinha bastante energia. Naquela época, longínquos dois anos atrás, quase três, eu tinha menos quilos do que tenho hoje e mais frio na barriga.
As roupas ainda não estavam tão desgastadas e amareladas de desleixo. São Paulo ainda não causava amor, mas estranheza. E a vida ainda tratava de fazê-lo apaixonado, mais vivo, respirando mais fantasia.
Hoje respirava um ar preocupadamente seco. Hoje respirava ares de rompimento e mudança forçada. Ares, também, carregados de incerteza e medo do fracasso.
Naquela época tinha a esteira do prédio, a novidade nas festas, os caminhos nas estações de trem ainda não tão automáticos, robotizados. Naqueles tempos ainda sonhava de madrugada com toques deixados maliciosamente, no senso de carreira e de que talvez estivesse no caminho certo.
Naquela época fumava menos cigarrinhos descolados, os dentes era menos gastos de ansiedade. Hoje, porém, quase fuma os cigarros que estranhos lhe oferecerem e tem menos sonhos, mas os mesmos desejos, que transbordam.
O celular era pior, mas as mensagens eram revisitadas constantemente. O coração batia mais forte com cada gesto de carinho que sempre havia ousado sonhar. Em breve acabaria o chorare.
Os olhos pesavam, enfim. E tomava outro sopro de coragem para mudar.
Um comentário:
que lindo, querido.
você escreve tão bem.
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