Respiro a indefinição e a vontade de mais propósito, sem contudo saber ou conseguir me mover. Respiro a ansiedade das redes sociais, de uma carreira meteórica onde não se pode falhar a direção. dos fios de barba que rareiam, de um amor não correspondido e que se afasta velozmente de mim.
Respiro a meditação
Respiro o implacável caos diário que aprendi a amar, a fumaça dos automóveis, as toxinas dos sorrisos amarelos, a saudade da família, a impaciência com a família, a impaciência da caixa do supermercado.
Respiro a impaciência e falta de cuidado e carinho comigo mesmo, as unhas sempre roídas (um frenesi de auto destruição?). o choro engolido que nunca vem na hora, mas sempre depois, de mansinho, perene, certeiro. Respiro a ausência de mim mesmo, a falta de paz nos valores que se mostram tão indefinidos, fluidos, mutáveis.
Respiro para não me entregar à tormenta negativa de emoções inseguras de si mesmas, que me impede de mostrar o quanto ele é especial pra mim, o quanto eu ainda tenho para dar. o quanto meu coração transborda de algo que eu também não tenho certeza se é amor, mas que se faz amor no momento em que eu ouço sua respiração, escuto sua risada e que nossos olhos, carregados de saudade, se encontram.
Respiro, respiro, respiro. "É apenas seu inferno astral", dizem os bobagentos astrológicos.
Vai passar.
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